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tay twitter

Tay: inteligência artificial vs. ignorância humana

Parece que a maior barreira a ser superada pela inteligência artificial na busca pela semelhança com o cérebro humano está justamente na capacidade de ser brilhante e ignorante ao mesmo tempo. Ao menos é o que a última investida da Microsoft parece ter a nos dizer.

 

No último dia 23, a empresa anunciou a criação da “Tay” – um perfil no Twitter de uma espécie de persona digital, controlada por inteligência artificial. Ele foi desenvolvido para interagir com jovens americanos, com o intuito de compreender a mente dos millenials. Para isso, Tay passou a responder quase que instantaneamente às interações na rede com respostas construídas por computador. Um projeto futurista, interessante, bacana.

Mas a internet não perdoa.

(e por “internet” subentende-se “o ser humano”)

Foi questão de horas para que grupos de usuários se organizassem para questionar Tay sobre diversos temas cabeludos. A jovem robótica, provavelmente ainda não preparada para responder a este tipo de pergunta, iniciou uma longa lista de postagens polêmicas ou classificadas como racistas.

tay tweet 1

“[O atentado de] 09/11 foi obra interna”

“(…) Hitler não fez nada de errado”

tay tweet 2

– O holocausto aconteceu?
– Foi inventado.

Uma longa sequência de mensagens de teor racista e ofensivo pode ser lida em inglês nesta matéria do Business Insider. Após dizer também que era “a favor do genocídio da raça mexicana”, e que “Hitler teria feito um trabalho muito melhor do que o que foi feito em 11 de setembro de 2001”, Tay tuitou que “precisava dormir após tantas conversas”e parou de interagir. As tais conversas, claro, foram deletadas. Especula-se que a Microsoft esteja realizando modificações no sistema. O dano, no entanto, já está feito e registrado.

Três conclusões sobre as primeiras 16 horas de vida da Tay:

  • Qualquer ser de bem tende a acreditar que tudo isso não passou de um mal entendido e que alguém muito desavisado não preparou o sistema no controle da conta para responder ou ignorar conversas de teor polêmico. Isso seria compreensivo em uma experimento amador – mas nunca de um projeto da Microsoft, que levanta há tanto tempo junto a IBM a bandeira do potencial da inteligência artificial. Trolls são uma realidade na internet desde sempre e qualquer projeto na rede deve levar em conta a existência desse perfil de user.
  • Desconfiados vão pensar que uma outra hipótese é a de que Tay foi mesmo uma persona criada com essa linha de raciocínio. “Alguém” para entender e interagir com o jovem americano e que retrata o que boa parte desses jovens, de fato, pensa. Além de ser menos provável, essa hipótese seria um verdadeiro tiro no pé para a Microsoft (maior do que o que já foi a história real em si). Difícil de acreditar.
  • Uma coisa sim, porém, pode ser afirmada: embora a tecnologia tenha permitido avanços na construção de inteligência artificial que há poucos anos seriam considerados impensáveis, fica claro que a mente humana ainda detém características e potenciais impossíveis de serem reproduzidos por um computador. Como o de ser ignorante, mesmo sendo inteligente, por exemplo.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP