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redes sociais jout jout

A sua opinião na rede social realmente interessa?

Ferramentas online são usadas para divulgar conteúdo ao mesmo tempo em que permitem alguma relação com outras pessoas. Podemos conversar, julgar, trocar informações sobre milhares de assuntos e até mesmo mudar a opinião alheia. Em tempos de era digital, nos deparamos com teses e julgamentos de todos os tipos, o ecossistema da nossa comunicação mudou. Com as redes sociais, o diálogo é acelerado e ampliado, gerando uma explosão de todo tipo de concepção. E todos têm um parecer sobre qualquer assunto e precisam falar e defender o que acham certo. É aí que mora o problema. A sua opinião na rede social, realmente interessa?

O boom das opiniões sobre o feminismo nas redes sociais começou de fato, com a PL5069, de autoria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Que prevê pena de prisão para dois envolvidos diretamente no aborto: a gestante e quem nela realizar as manobras abortivas.

“No dia 30 de outubro de 2015, ocorreu um ato em São Paulo, onde as mulheres gritaram juntas, contra a PL5069, que dificulta a denúncia de estupro e constrange a mulher. Retrocesso, falta de empatia, afirmação da solidão da mulher, da cultura do estupro, da misoginia e retirada de um direito básico.“

Li o texto acima em uma das milhares de postagens que reivindicava os direitos das mulheres, a maioria seguidos de:  ‪#‎RespeitaAsMina ‪#‎Feminismo ‪#FeministaPorqueSim ‪#‎Empoderamento ‪#‎Sororidade  ‪#ForaCunha #‎MeuUteroéLaico ‪#‎EuDecido #‎AgoraÉQueSãoElas #ForçaLola #‎PrimeiroAssedio

 

A partir daí, inicia-se uma guerra entre páginas que diziam ter #OrgulhoHetero e eram a favor de leis como a PL5069 , contra as páginas feministas, que eram contra a (qualquer) tipo de violência contra a mulher.

Até então eram lutas e opiniões contrárias, tentando conseguir seu espaço, tentando conquistar determinado público baseados em seu ponto de vista.  O que antes começava nos periódicos diários, hoje se inicia na postagem da Maria ou no vídeo do José. A opinião pública agora tem mais dedicação e participação da massa, do proletariado, da burguesia, da classe média e de tantos outros grupos da sociedade.

Passamos a entender a importância desses debates quando algumas páginas começaram a desaparecer. Jout  Jout  Prazer e Feminismo sem Demagogia, ambas páginas ligadas aos direitos das mulheres, foram retiradas do Facebook como forma de retaliação do grupo machista e publicações com a hashtag ‪#‎OOrgulhoTaVoltando começaram a pipocar pelas redes.

A rede social não só acelera a opinião pública, como nos guia para alguma ação, seja um ato (como ocorreu no último dia 30 na Av. Paulista), ou um momento de reflexão sobre o papel da nossa posição perante a sociedade. Seja bom ou não, mas é um entendimento sobre qualquer coisa e quase sempre digitamos qualquer bobagem, sempre escondidos por uma tela. É preciso ter calma e ler bastante antes de sair falando sem saber ou sem medir as palavras.

O sumiço de algumas páginas na maior rede social do mundo é apenas a ponta de um tremendo iceberg, cheio de intolerância, raiva e mimos. Tratar a xenofobia, o racismo, o sexismo, o homossexualismo e outros tantos preconceitos sem um diálogo saudável é apenas propagar o ódio. Afinal, nossa timeline é o espelho da nossa sociedade ou a nossa sociedade é o reflexo da nossa timeline?

Adendo

Sei que todo mundo sabe que o Feminismo não é moda, nem muito menos tendência. A violência contra a mulher existe desde sempre e sempre com quase todas as mulheres, a luta é real e vale a pena buscar as informações, mas caso você tenha chegado de Marte, vou te passar uns números horrendos, mas REAIS:

Estima-se que apenas 10% dos estupros virem estatística, já que a maior parte dos casos nem cheguem a virar denúncias formais por parte das vítimas. Estupro é o crime que apresenta a maior taxa de subnotificação no mundo.

  • 5 espancamentos a cada 2 minutos (Fundação Perseu Abramo/2010);
  • 1 estupro a cada 11 minutos (9º Anuário da Segurança Pública/2015);
  • 1 feminicídeo a cada 90 minutos (Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil. Ipea/2013);
  • 179 relatos de agressão ao dia (Balanço Ligue 180 – Centro de Atendimento à Mulher/jan-jun/2015);
  • 43 mil mulheres assassinadas em 10 anos, 41% delas em casa (Mapa da Violência 2012).

Dados compilados no Dossiê Violência contra as Mulheres.

Informe-se. Tá bem? Então tá bem.

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