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somebody

SOMEBODY: um app aproximando as pessoas. E afastando-as.

Mandar aquele whatsapp, fazer aquela ligação, tocar a campainha daquela pessoa: comunicar-se com outros indivíduos, em tese, deveria ser simples, mas pode ser uma tarefa árdua em algumas situações. O ser humano é complexo e dizer meia dúzia de palavras pode parecer um bicho de sete cabeças para algumas pessoas. Especialmente quando boa parte das interações entre indivíduos se resumiram a inbox messages, e-mails ou SMS .

A artista norte-americana e multitalentosa Miranda July (atriz, diretora, roteirista, autora, dentre outros) explorou, em uma recente investida no mundo digital, o impacto de novas tecnologias nas relações interpessoais. A convite do programador Andrew Badr, que se propôs a criar um projeto digital em parceria ao conhecê-la, Miranda lançou no mercado o aplicativo Somebody.

PEDINDO AJUDA AOS OUTROS

O aplicativo funciona basicamente como uma plataforma através da qual suas mensagens poderão ser lidas, interpretadas e entregues aos seus destinatários… só que por estranhos. O usuário redige a mensagem a ser entregue (como um messenger convencional), com a opção de adicionar a ela informações específicas sobre emoção e gestos físicos. O Somebody localiza um usuário voluntário que esteja próximo ao destinatário da mensagem e esta pessoa será incumbida de entregar a mensagem.

Parece louco? Parece. Mas este vídeo produzido pela marca Miu-Miu deixa bem claro o propósito do projeto:

APROXIMANDO PESSOAS… AFASTANDO-AS.

Miranda July explica em artigo para o site Co.Create o que a levou a lançar o projeto:

Eu não acho mesmo que o Somebody seja um bom substituto para o SMS, e-mail ou ligações telefônicas. Mas vale a pena pensar em quais exatamente são os sentimentos que nossos telefones nos trazem. Quer dizer, eu sei que não consigo ficar longe do meu, mas será que ele realmente me traz felicidade? O que me traz felicidade são interações surpreendentes e fugazes com estranhos – como ajudar uma mulher que deixou cair suas pêras – que me levam para fora de mim e me dão uma breve sensação: humanidade!

Tudo muito belo. E estas palavras fazem mesmo sentido: o contato com desconhecidos em situações como as descritas no filme podem não somente ser hilárias como nos aproximar de pessoas que, não fosse a proposta, passariam batidas pela nossa vida. A dúvida que me consome (e que é simplesmente ignorada pela artista no vídeo) é: e quanto ao usuário que envia a mensagem? Ao propor um serviço neste formato, além de aproximar o receptor da mensagem do estranho-de-boa-vontade que topa interpretá-la, o aplicativo não acaba por afastar o usuário que envia as mensagens do convívio com as pessoas? Esta é uma segunda interpretação para o projeto que, ao menos assistindo ao filme acima, se mostra bastante clara.

Fato é que, independente de aproximar ou afastar pessoas, o Somebody atingiu apenas no seu primeiro dia de lançamento a marca de 100.000 downloads e mais de 20.000 assinaturas.

Ficou interessado em escrever (ou entregar) uma mensagem? O aplicativo está disponível na App Store. É também possível acessar o site oficial e conhecer mais.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP