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criatividade

Sobre criatividade

A criatividade é algo fascinante. Quando menos esperamos, ela nos abraça calorosamente. Muitas vezes, estamos andando pelas ruas ou lavando a louça do jantar e temos um insight, uma ideia brilhante e que precisamos anota-la para que não fuja de nosso campo de visão.

Mas, nem sempre essa ideia surge de forma inesperada. Não são poucas as vezes que precisamos de algo que solucione um problema de forma quase que imediata e no fim das contas não conseguimos pensar em nada. É o momento daquele famoso “deu um branco”. Nessas horas, uma solução eficiente é ter mais de uma cabeça pensando. Ou seja, promover uma reunião de seres pensantes e suas ideias. Ah, o que seria de nós se não existisse à maravilhosa tempestade de ideias?!

Como publicitários, temos fama (acredite, não podemos só ter fama, precisamos ser realmente) criativos. Ainda digo mais, um publicitário sem criatividade  é como um soldado que vai para uma guerra sem treinamento e armas adequadas ou um palhaço que não consegue arrancar gargalhadas de seu público.

Mas, a criatividade não é um dom restrito somente aos “advertising guys”.  Nem aos pintores, escritores e demais artistas famosos. A criatividade é um estado de espírito ao qual todo ser humano pode e deve ser submetido. Fayga Ostrower, famosa artista plástica brasileira, em seu livro Criatividade e Processos Criativos, nos fala que o processo de criação não é propriedade raríssima de alguns eleitos, mas sim uma condição de ser humano.

 

Ou seja, passamos a ser criativos no ato de nosso nascimento. O cerne da questão onde alguns se sobressaem criativamente em relação a outros  é o tempo que cada pessoa se dedica aos processos criativos, sem falar que as condições pessoais de cada um exercem também uma influência gigantesca na hora de criar. Um artista plástico possui todo um processo, um ritual de despertar da criatividade. Um diretor de arte nem sempre pode se dar o luxo de um ato ritualístico. Às vezes, todo o ritual por ele praticado é o recebimento do briefing colhido pelo Atendimento junto ao cliente e algumas ideias em sua cabeça. O que não deixa de ser um ritual. Concordam?

Ostrower ainda nos fala que criar implica em dar forma a alguma coisa. Ou seja, escolhe-se um objeto ou ideia disforme e dar-se um sentido, uma forma a essa coisa antes ausente de significado. Mas, podemos ir além e dizer que muitas vezes produzimos novas formas a objetos e ideias que já possuem formas definidas. Por exemplo, usei um texto sobre criatividade como base para um novo texto também sobre criatividade.

Quando assumimos a postura de criadores, aceitamos sem nenhuma relutância o posto de “um ser criativo que não dever ser incomodado e precisa de preparação para criar”. Antes, durante ou depois de uma atividade de criação, algumas ações ou comportamentos do criador interferem no produto criativo final. Por exemplo, tenho o hábito de escrever meus textos para o blog ou minhas estórias ouvindo trilhas sonoras de filmes no Spotify. A trilha sonora de Interstellar é fantástica!

Todavia, Washington Olivetto (Amém!) em seu livro O Que a Vida me Ensinou,  nos fala que muitas pessoas comparam a atividade de um publicitário com o labor de um poeta, considerando que o publicitário vive de inspiração. Ele discorda, pois explica que o seu processo criativo está diretamente atrelado a tudo que ele fez e vivenciou, do que armazenou de cada experiência vivida e que “não trabalha com esse componente denominado inspiração”.  Ou seja, a bagagem de experiências que cada pessoa carrega é um determinante vital no processo de criação.

Independentemente da hora ou do lugar ou das ferramentas disponíveis ou da forma de preparação, no que diz respeito ao processo criativo, somos seres criadores por natureza e é praticamente impossível escaparmos dessa condição criadora, uma vez que a criatividade é um potencial inerente ao homem e a realização desse potencial é uma de suas necessidades mais básicas, que não pode ser renegada, deixada em segundo plano. Dessa forma, nos resta assumir nossos papeis de criadores, de produtores de formas, de seres geradores de significados.

 

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