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Skol Beats mergulha e acerta

Da série “produções das quais adoraríamos ter participado”.

Começou a ser veiculada esta semana a campanha da nova cerveja Skol que integra a linha “Beats”. Skol Beats Senses começou a ser distribuída por todo o país e ganha um anúncio sensacional para divulgar seu conceito “azul por fora, inexplicável por dentro”. As latinhas da cerveja são azuis e têm o símbolo da Skol impresso em tinta fluorescente, revelado apenas na luz negra. A bebida ainda é fabricada de forma que permita o consumo com gelo. Veja a campanha:

É possível que você já tenha assistido ao vídeo e imaginado o trabalho árduo de computação gráfica embutido nele. E não tenho dúvidas: certamente há computação gráfica nele. A questão é que a computação, neste caso, é mais superficial do que se imagina – o vídeo foi integralmente filmado embaixo d’água.

Para a produção, a F/Nazca Saatchi & Saatchi importou equipamentos de Los Angeles utilizados para a filmagem. Todos os atores que participam do anúncio foram companhados por mergulhadores que garantiam o oxigênio durante a filmagem subaquática.

A ideia louca das filmagens aquáticas, que renderam o lindo trabalho acima, serve também como reminder daquilo que na rotina acaba sendo esquecido: a verba sempre será curta. Nem por isso, o criador pode se dar o luxo de não “pirar” enquanto busca uma ideia. Porque, sim, no caso de Skol, estamos falando de uma conta com verba para oferecer. Mas a maior prova de que a verba não garante excelência de resultado (e de que falta de verba não garante o fracasso) é justamente comparar este trabalho com outros anúncios filmados debaixo d’água.

Um eventual resultado poderia ter sido uma campanha que se pareça com esta, do Corolla:

Ou com essa, do Lexus:

Mas, não. O que temos no caso Skol é uma peça bela, que não se vale exclusivamente do fato de ser submersa para chamar atenção do consumidor. Reproduz uma balada, usa elementos surreais fora do meio aquático (como um tubarão de coleira), acerta nos movimentos – que parecem-se mais com uma dança do que com a movimentação lenta submersa – e ainda abusa do preto e do azul nas luzes, lingando-se ao conceito do consumo na vida noturna e às novidades na latinha. Em um processo de criação convencional, seguramente o resultado seria inferior do que o “sonho” retratado na campanha da Skol, que transmite mensagens nos elementos, nas luzes, nas atuações, no cenário, na sua trilha sonora – a ponto de praticamente não precisar sequer de texto.

É ponto para a F/Nazca Saatchi & Saatchi.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP