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Sexy Mushrooms criativo

Sexy Mushrooms: nada tão criativo assim

Qual a associação entre cogumelos e formas sensuais? Nenhuma, certo? Pois bem, isso pode parecer estranho ou, no mínimo, inusitado. Mas a marca Carl’s Jr encontrou uma forma de fazer esta ligação em um dos seus vídeos publicitários. Táticas inusitadas e associações improváveis podem ser saídas de mestre dentro da Publicidade. Sempre que se comunica de forma surpreendente se conquista certa atenção e nós queremos isso.

Queremos? Aliás, é certo que as marcas e anunciadores querem sua devida atenção e espaço na vida de seus clientes. Mas é assim que os comunicadores querem ou podem ajudar? A forma como se comunica algo é assunto de discussão há tempos, e isso interfere concretamente na atividade publicitária.

Muitas vezes o publicitário é visto como o profissional criativo, aquele responsável pelas tais saídas de mestre, ou sacadinhas bacanas. E ele é, o que pode ser bem legal, pois é fascinante a possibilidade de criar coisas importantes a partir de uma boa ideia. A dúvida é: como identificar uma ideia assim num tempo de tantas questões?

 

Todos devem concordar que inovação é bom, que sair da caixa é importante, que associar coisas distantes pode ser interessante e que isso pode ser criativo. Boa ideia detectada! Calma, não basta só isso. Ou você pode juntar só e exatamente o que vimos no vídeo: cogumelos (ou qualquer coisa) e formas femininas. Diferente, inesperado, mas com o mesmo apelo de sempre.

A rede Carl’s Jr pode facilmente ser associada a estas ideias que se utilizam de modelos femininas, erotização e tudo isso que já se vê. Mesmo sendo uma marca de fast food, não hesitam em usar a sensualidade de belas mulheres padrão, sempre lindas com seus sanduíches e atraindo olhares e olhares. No vídeo abaixo é possível ver alguns dos comerciais mais “sexys” do Carl:

Poderiam dizer que é uma forma de linha editorial, características e personalidades da marca. Ou pode ser uma simples “brincadeira”, que seja. Mas cervejas são erotizadas, perfumes também, jóias, até amaciantes de roupas (lê-se Downy) – o que, particularmente, parece o cúmulo da apelação.

Continuar nessa ideia de associar um produto ao sensual, e ainda à imagem da mulher como artifício erótico e objetificado não tem mais nada de criativo. Além de ser um tanto grotesco em boa parte dos casos, já está mais cansado do que nunca. Não é nenhuma brincadeira que se faça, ok?

A criatividade está associada claramente ao tempo em que está inserido o criativo. Num momento tão forte e importante de discussões éticas na construção da propaganda, além de ser tolo, esse mote sensual-vende é de mau gosto, não importa qual seja o sabor ou variedade do seu hambúrguer. A gente vai vendo que criativa mesmo é uma comunicação limpa e ética com todos, isso sim é inovador.

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