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Sereias Trans

Quando criança, como você brincava? Não importa muito se você corria na rua, se você só via TV, se cuidava de bixinhos no quintal de casa ou mesmo se você sempre foi o leitor da casa. Em algum momento da infância, você teve seu personagem favorito, seu brinquedo preferido, sua história que você conhecia de cor e salteado. Ou não?

Na verdade, isso é sobre representatividade, visibilidade. Ou seja, dar às crianças a oportunidade de terem exemplos com que elas se identifiquem. E mesmo que isso comece cedo e esteja dentro do universo infantil, não é uma brincadeira. Nós precisamos levar isso a sério e já temos exemplos disso, de como expandir nosso universo criativo para as crianças e permitir que elas se identifiquem com quem realmente importa para elas.

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“Qualquer um que nos conhece, sabe que geralmente deixamos Caiden fazer suas próprias escolhas, até certo ponto. Bem, ele se decidiu sobre o traje de Halloween. Ele quer ser Elsa. E ele quer que eu seja Anna. Assim será” Paul Henson

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“Meu filho consegue se ver nele assim como qualquer garotinho branco consegue se ver em outros personagens. Tem espaço para todo mundo” Jaciana Melquiades

Nestes casos, vemos dois garotos que se identificam com uma fantasia para o Halloween ou mesmo com um brinquedo. Isso é de grande importância para qualquer criança. São suas formas de se expressarem e interagirem com o mundo, vivenciá-lo. Pensando nessas formas de vivenciar o mundo, psicólogos começaram a observar crianças trans e suas formas de identificação com personagens e afins.

Dra. Christine Milrod, afirma que, mesmo não havendo estatísticas quantitativas formais, uma peculiaridade recorrente às meninas trans é a identificação com as sereias. Mais especificamente, estas garotas simpatizam fortemente com a figura de Ariel, a Pequena Sereia. Ao invés de outras princesas ou coisa assim, uma sereia. Mas por quê?

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Bem, vocês lembram da história, não? Ariel vive alguns dilemas consigo mesma. Deseja ter pernas ao invés de cauda. Sonha em viver junto dos humanos ou ao menos conhecer esse mundo, mas ela tem uma cauda. Ela também busca a “ajuda” de Úrsula, para viver isso, vencer o estigma com seu corpo. Por fim, consegue ingressar no universo que desejava, mas à preços altos e dolorosos.

Agora, você consegue enxergar pessoas trans nessa história? Pessoas que travam dilemas consigo e com o próprio corpo, que nessas questões buscam uma melhor convivência com a própria identidade e com as pessoas ao seu redor. Pessoas que apenas desejam seu lugar no mundo e que, infelizmente, acabam muitas vezes fazendo grandes sacrifícios nesta busca. Então, por essas e outras coisas que precisamos pensar em representatividade trans desde cedo. Contudo, ainda há tempo. Nunca é tarde para vivermos a empatia.

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