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Qual é o futuro do streaming de música?

Na última semana, o Youtube lançou uma nova campanha para o seu serviço de streaming de música – o YouTube Music. Em cinco vídeos, a campanha explora a individualidade de diferentes tipos de pessoas que ouvem música em diversas situações. É possível conferir todos os vídeos no canal do YouTube Music. Assista a um deles abaixo:

Esta campanha chega alguns meses após o lançamento oficial do serviço, que aconteceu em novembro de 2015. É um começo que pode ser tão promissor quanto arriscado. O vídeo de apresentação do YouTube Music já conta, hoje, com um número maior de dislikes do que de likes. As razões para essa rejeição são incertas. É pelo fato do YouTube estar investindo em plataformas de conteúdo pago (YouTube Music, Youtube Red)? São pessoas que já assinam outros serviços de streaming? São usuários que apenas não gostaram da campanha? Difícil dizer. Mas uma coisa é certa: streaming de música não um negócio fácil de se conduzir.

Um vídeo com mais dislikes do que likes é um problema que não faz nem cócegas perto da dívida que o líder mundial em streaming de música precisa carregar. Este é um gráfico que mostra o histórico de receita e lucro (ou, no caso, prejuízo) do Spotify em milhões de euros.

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A fonte das informações é o site Statista. Desde 2011, quando o Spotify saiu da Europa e ganhou o mundo, a empresa perdeu 45.4 (2011), 83,6 (2012), 55.9 (2013), 162 (2014) e 173 (2015) milhões de euros. Este artigo do Music Business Worldwide dá mais detalhes e ressalta ainda que, de toda a receita gerada pelo Spotify em 2015, 10,1% vem da publicidade. O resto da receita vem das assinaturas do serviço premium.

Com cada vez mais serviços de streaming disponíveis, não é difícil presumir que as empresas apostem mesmo na música como um produto de valor agregado bem sucedido para as novas gerações. Contudo, a batalha que elas enfrentam está em despertar o hábito do consumo pago de música e sobreviver até que o mercado atinja sua maturidade e comece a se tornar lucrativo. Uma das pioneiras do serviços no Brasil não não está mais aqui para contar sua história. Em 2015, o Rdio pediu falência e teve sua tecnologia adquirida por outra grande empresa de streaming de música: o Pandora. E ainda que não haja dados atuais muito concretos sobre a saúde financeira do Pandora, sabe-se que no momento da compra do Rdio a empresa também já apresentava prejuízo e que seu modelo de negócio é bastante diferente do usado pelo Spotify. O Pandora fatura muito mais com publicidade do que com assinaturas:

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No entanto, o crescimento do consumo de música digital é inegável e perceptível nos dados de todos os players do mercado. Não fosse por isso, Apple, Tidal e Google não teriam comprado briga com o Spotify e se lançado nesse mercado também. O que fica claro, então, sobre o futuro do serviço de streaming é:

Não vai sobrar pra todo mundo. Algumas empresas já começam a mostrar sinais de fraqueza e este é um típico serviço pelo qual um cidadão comum (que não seja músico ou que não desempenhe uma atividade diretamente ligada à música) dificilmente pagará para duas empresas. Ele poderá até assinar mais de uma, mas pagará pelo melhor.

Quem quer ouvir, precisa pagar. É o mínimo que se espera, especialmente avaliando a receita do Spotify que é líder de mercado. Ouvir música offline, customizada e logo que lançada é um serviço com tendência a ser pago (e cada vez mais caro).

Quem não quer pagar, precisa ouvir… propagandas. Não tem chororô, não tem fórmula, muito menos milagre. O dinheiro precisa vir de algum lugar. Se não da assinatura, que seja da propaganda.

Portanto, da próxima vez que você estiver ouvindo música online e aparecer aquela propaganda chata, ou que você se lamentar pelos reais gastos mensalmente com a assinatura do seu serviço de música via streaming, lembre-se: são esses segundos e reais gastos que permitem que você ouça música assim hoje. E voltar a baixar mp3 ou comprar discos para ouvir música pode até ser um movimento saudosista (e possivelmente mais justo com os músicos, que frequentemente se sentem injustiçados por estes serviços). Mas, ainda assim, é um movimento bastante improvável para o mercado. É melhor se acostumar.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP