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Qual é o futuro do negócio da música no Brasil?

Nesse final de semana teve o Lollapalooza e entre comentários de pessoas emocionadas sobre os shows tinha tantos outros de pessoas indignadas com a organização e a segurança do evento. Muitas vezes a mesma pessoa ia do céu a inferno no festival. Isso me fez pensar sobre o mercado da música, mais precisamente do rock (porque tem gêneros musicais dando “aula”) no país que faz tempo me parece enfrentar alguns problemas. Por um lado temos um grande movimento de bandas de fora fazendo mega shows aqui mas com valores estratosféricos e por outro lado temos um cenário nacional que me parece enfraquecido, sem criatividade e sem união. Isso pra mim gera um grande problema.

Primeiro vamos pensar nos shows internacionais que vem. Esses tempos li uma reportagem da Folha de São Paulo que dizia:

“O cancelamento do festival espanhol Sónar no Brasil, a mudança do show do The Cure para um local menor, o encalhe de ingressos para os shows de Madonna e Lady Gaga no ano passado, o cancelamento do SWU e as incertezas sobre a edição deste ano do Planeta Terra apontam que a bolha do mercado de shows internacionais no país parece ter estourado.” 

Esse fato é recorrente nos últimos tempos. Tirando o Paul McCartney, dificilmente vemos shows com ingressos mais caros que fiquem esgotados. Aqui em Porto Alegre os shows da Lady Gaga, Madonna, Kiss, Elton John e praticamente todos artistas que vem (menos o Paul McCartney) sempre sobra ingresso. Os mais baratos vão rapidamente e os mais caros encalham. O Kiss, por exemplo, teve que ter seu show transferido de um estádio para um ginásio (e mesmo assim tinha ingresso a venda no dia). Agora teremos Arenas para receber grandes shows, mas hoje já estamos vendo problemas de público.

No caso do Lollapalooza o grande problema foi a organização e segurança do evento em comparação com o valor absurdo de R$350,00 por dia (como informado nessa postagem “Foojapallooza – ou como os eventos musicais no Brasil estão afundando“). O autor faz uma comparação com o Reading, no Reino Unido, em que 3 dias de festival custava £175,00. Bem mais barato e, segundo o mesmo, bem mais organizado. No final do ano teremos o Rock In Rio, será que iremos ter novamente esses mesmos problemas de organização e segurança (muita gente com celulares roubados)? O Brasil conta muito que as obras dos estádios para depois da Copa recebam grandes shows e eventos para não se tornarem “elefantes brancos”, mas com essa realidade que estamos enfrentando será difícil.

O outro problema que eu vejo no cenário do rock mais especificamente é a falta de um cenário. As grandes bandas idolatradas e que servem de referência ainda são as dos anos 80. Temos artistas dos anos 90 que construíram uma reputação mas que não me parecem estar contribuindo para um desenvolvimento de um cenário. Não vejo bandas novas com estilo e pegada desses caras que poderiam ter feito a diferença para uma nova geração. Além disso acredito que ocorre uma falta de cooperação entre bandas novas para fazer shows, atrair público, construir uma reputação e permitir a evolução do gênero. No início do texto falei que tem certos artistas que tão dando aula e no caso são os do Sertanejo. Já perceberam que todas essas bandas e duplas novas tocam umas com as outras? Que elas cativaram um público local antes de se espalhar pelo Brasil? Que parecem ter um forte vínculo? Isso certamente vem de muito tempo, de um cenário que hoje está colhendo os frutos.

Talvez a internet tenha proporcionado a facilidade de criar e distribuir música mas também prejudicou o fator humano, o contato, a criação e a cooperação. Temos que entender que a web é um facilitador mas o real acontece lá fora. Dave Grohl discute esse tema no Sound City e em seus discursos, a importância da troca entre artistas. Acho que o rock nacional precisa se reinventar, precisa voltar as origens e criar mais vínculos que fortaleçam todos os envolvidos. A minha visão é daqui de Porto Alegre (que já produziu muita coisa boa), mas acho que em muitos outros lugares as coisas devem estar devagar. Digo isso porque faz tempo que bandas novas não surgem e se tornam relevantes. Algo esá errado.

Não podemos viver e tentar manter um mercado somente com modismos. Eles não duram. O sertanejo não é modismo, ele se reinventou mas faz tempo que as duplas ganham muito dinheiro e se organizam em conjunto. Acredito que muitos irão lembrar do programa de TV de tempos atrás “Sabadão Sertanejo“.  Independente se as músicas são de bom gosto ou não, pra mim eles mostram como se criar um cenário favorável para o sucesso musical. A unidade e a troca entre os artistas é importantíssima. Talvez seja hora do pessoal do rock voltar a ter humildade. Isso vai ajudar as bandas nacionais a se unir novamente e os organizadores de eventos saber que em algum momento o público não irá mais aceitar os serviços ruins que estão nos entregando toda vez que pagamos caro para ver os nossos artistas preferidos.

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