Skip to main content

Qual é a cara da nossa geração?

A Box1824 sempre mostra muita qualidade no que produz. Esse vídeo é mais um exemplo disso, mas tem alguns detalhes que eu acho que faltaram ao menos na apresentação dos resultados. É uma opinião pessoal e gostaria de saber o que vocês pensam sobre o assunto. Vamos lá. Essa discussão de diferentes gerações pra mim começa com um viés muito grande: nunca consideramos que só podemos analisar o passado com a nossa percepção de realidade e fica difícil dizer então o que seria “revolucionário” em diferentes momentos porque muita coisa pra nós hoje seria apenas “tradicional”. Então quando falamos do passado pegamos dados no papel, entrevistas com gente que viveu na época, mas a falta de estar vivendo aquele momento com uma cabeça “jovem” muda a nossa noção de realidade.Esse viés é um problema, em minha opinião, porque tendemos achar que hoje somos mais revolucionários que ontem e que no futuro as nossas crianças serão mais ainda. Então, pra mostrar isso vamos pegar uma mudança de comportamento bem forte ao longo do tempo: o tratamento das mulheres. Em um determinado período era um absurdo usarem alguma roupa que não cobrisse o corpo todo. Depois alguém se rebelou e uma nova tendência surgiu e assim veio a saia, a mini-saia, os maiôs, os biquinis e até hoje uma nova visão se formou. Então, usar uma simples saia já foi muito revolucionário e hoje isso pode ser visto como comum. Entenderam o que quero dizer? Algo que hoje pode ser “quadrado” já foi pensar fora da caixa.Nesse vídeo em questão da Box1824, quando se trata de gerações mais antigas pra justificar a mudança dos dias de hoje, mostra pessoas em profissões bem tradicionais. Um dos vídeos mostra cenas da série “Mad Men” sobre publicitários em um modelo de agência que hoje pode ter mudado. Agora, já pararam pra pensar que nos anos 50 e 60, mesmo que hoje pareça tradicional, o modelo de uma agência de publicidade tinha tudo pra ser “revolucionário” pra época frente aos outros negócios?Parece que todo jovem é cool, moderno, conectado ao mundo (não somente tendo uma conta no Facebook ou em outras redes sociais, ou dividindo todo seu tempo com seu smartphone, mas produzindo e buscando conteúdo relevante) e vivendo uma vida quebrando os paradigmas mais tradicionais. O que me parece é que todos são publicitários, designers, artistas e empreendedores natos. E quanto aos tantos engenheiros, médicos, professores, administradores financeiros/RH/Produção, advogados e tantas outras profissões mais tradicionais? Será que todos os jovens inseridos nelas são assim?

Quem aqui não conhece casos e pessoas bem mais velhas (que poderiam ser os avós ou bisavós dessa nossa geração) que saíram de casa cedo, botaram a cara na rua e foram pro mundo tentar ser algo na vida e tiveram sucesso? Meu avô saiu de Portugal com 15 anos e veio pro Brasil só com o contato de um padrinho  que estava aqui, cresceu, abriu seu negócio e fez sua vida. Exemplos assim de jovens empreendedores e inquietos também aconteceram em vários momentos da sociedade.

Hoje talvez fique mais fácil por causa da tecnologia. O mundo passou a ser mais rápido. A inquietação é inerente ao que o mundo passou a nos oferecer e o que esperamos deles. Não são apenas os jovens assim, nossos pais tem celular, não querem ficar 5h na fila de um banco, querem resolver problemas com mais facilidade, porque tudo isso foi sendo criado nos negócios e passou a ser valor pra nós. Claro que existem particularidades da geração dos jovens de hoje, mas não os vejo tão revolucionários assim em detrimento de outras que já passaram.

Na verdade, minha opinião, é que somos uma geração de mimados. Todos querem nos agradar e passamos a acreditar no nosso poder. Enquanto por um lado os jovens querem diversão e trabalhar com o que amam, por outro tem pesquisas que mostram uma migração dessa geração de volta pra casa dos pais. Isso hoje é socialmente aceitável! Muito fácil arriscar quando se tem a segurança do lar, não acham? Até uma geração passada, depois de uma certa idade (geralmente após o fim da faculdade e o primeiro emprego) o filho já estava criado e era hora de sair de casa e fazer sua vida. Morar com os pais era sinônimo de fracasso e isso mudou.

Eu acho muito válido saber as particularidades de comportamento, só acho complicado quando tentamos provar através de resultados o que as pessoas dizem ser verdadeiro sem considerar que isso pode ser apenas um movimento normal em TODAS as gerações. O que é tendência é o que acontece no momento e não algo que alguém tenta adivinhar sem o mínimo de análise do “hoje”. Pensem que todas as transformações e produtos que vieram são baseados em visualizações do que acontece no momento. Talvez não seja latente e as pessoas digam o que querem de fato, mas elas dão dicas. Tudo isso porque as necessidades não se criam, tudo o que muda são os desejos despertados. Por isso, nosso comportamento de hoje é constituído de diferentes descobertas, que levaram a novos caminhos (profissionais, pessoais, tecnológicos, etc.) ao longo de TODAS gerações e que foi passando a ser verdade.

Comente aqui

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *