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publicidade alemanha

Publicidade na Alemanha: a expressão de liberdades e individualidades

Em pouco mais de um mês vivendo na Alemanha, um dos aspectos mais marcantes que eu pude notar na publicidade do país é o uso de liberdades (cultural, de expressão, corporal) para vender. A impressão que dá é a de que a publicidade aqui é uma evolução daquilo que se via nas Brasil nas décadas de 80 e 90, quando grandes campanhas exaltavam de maneira exacerbada a individualidade, a originalidade e a necessidade que cada um tem de se expressar por meio de um estilo para ganhar a atenção do consumidor. Mas não se engane: o fato da publicidade nem sempre adotar linguagens demasiadamente exploradas na América e em outros países da Europa não é necessariamente um sinal de atraso.

 

Este é o primeiro post que faço a respeito de diferentes olhares da publicidade alemã sobre individualidades do consumidor e, em alguns casos, temáticas tabu. Veja:

mulher bicicleta

Esta foto é da primeira campanha que me chamou atenção especial logo que cheguei por aqui. Trata-se de um painel exposto em uma estação de trem e a KVB é uma a empresa responsável pela gestão de transportes (ônibus e trens) na cidade de Colônia. É, portanto, uma empresa ligada à gestão pública. E como quase toda campanha de órgãos públicos, empresas de capital público ou que lidam com serviços públicos, essa aí “grita” na hora de definir a imagem do cidadão com quem está dialogando. No caso em questão, o serviço oferecido é o aluguel de bicicletas para locomoção na cidade, com 30 minutos gratuitos para clientes de programa da empresa. A figura construída para representar o ciclista é um rapaz jovem, provavelmente rockeiro (cabeludo e carregando um instrumento musical), de origem estrangeira ou simplesmente adepto de hábitos não necessariamente alemães (usa kilt para pedalar).

Por que tantos signos? Por quê representar o ciclista com um jovem pedalando de kilt carregando um instrumento (já pensou no quão confortável isso deve ser?). Não tenho a resposta para essas perguntas, mas aposto 10 euros na hipótese de que isso foi construído com base nas estatísticas de hábitos de consumo dos ciclistas locais, alemães ou não. E todos os hábitos e estilos constatados foram incorporadas em uma única foto, que resultou numa figura bastante peculiar. Veja o site com outra foto da campanha aqui.

O esforço em explorar a individualidade e originalidade de cada um fica bastante evidente também no uso da nudez na publicidade. Antes de falar disso, quero relembrar que nós, no Brasil, assistíamos a campanhas assim há coisa de 20, 30 anos:

Nudez na publicidade definitivamente NÃO É coisa nova em lugar algum no mundo. Mas há diferenças gritantes no uso da nudez em cada lugar. Na maioria das campanhas da década de 80 e 90 que exploravam a nudez, o corpo era erotizado. Boa parte dos alemães, no entanto, encara a nudez com mais naturalidade. Há um movimento bastante forte por aqui que defende que o erotismo não está na nudez mas no olhar de cada um sobre o corpo. E o resultado disso é a exploração da nudez como signo que representa liberdade e transparência. Um hábito que permite que sejamos quem realmente somos, sem máscaras ou padronizações:

publicidade cartaz ladies night

publicidade mobiliario vive le moment

Curiosamente, ao mesmo tempo que a nudez é largamente explorada (inclusive por marcas de cigarro, como na imagem acima), o governo alemão tem estudado recentemente um projeto de lei que promete acabar com a publicidade sexista e com o uso da imagem do homem ou da mulher como objetos sexuais na publicidade. Definitivamente um olhar bastante diferente sobre a nudez e o erotismo.

Na semana que vem, sexo e cigarro serão temas de um novo post a respeito de outras campanhas largamente divulgadas por aqui – mas que provavelmente você não veria sendo veiculadas pelo Brasil – explorando liberdades e individualidades de cada um. Aguarde!

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP