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refugiados

Precisamos falar sobre refugiados

A expressão ‘ refugiados ’ já diz basicamente tudo: são pessoas que buscam um refúgio. Famílias que sonham com um vida diferente, uma vida nova e livre de sofrimento. Guerras, sangue, tristeza, dor, perdas… Tudo isso fez parte da rotina desses indivíduos e hoje são memórias tristes guardadas no coração, na pele e na alma. Por isso, eles tem muito a dizer.

Naufrágio envolvendo refugiados em 2016

A ONU revelou que nesse mês ocorreu ‘uma das piores tragédias dos últimos 12 meses’ envolvendo refugiados. Segundo informações relatadas, aproximadamente 500 pessoas morreram no mar Mediterrâneo, entre a Líbia e a Itália, nessa ocasião. Sobreviventes informaram que partiram de uma pequena localidade próxima a Tobruk, ao norte da Líbia, em um barco de aproximadamente 30 metros. A embarcação parecia ser suficiente para acomodar as pessoas, porém, na verdade, estava superlotada. Ao encontrarem uma embarcação maior no mar, decidiram transferir uma parte das pessoas para esta. No entanto, a mesma também estava superlotada e não foi suficiente para dar continuidade à viagem, causando a tragédia. Os 41 sobreviventes são aqueles que não se transferiram para a embarcação maior.

Essas histórias não podem se perder em alto mar. Pensando nisso, a Unicef está realizando uma intensa campanha para resgatá-las e despertar o interesse da comunidade internacional para a realidade desses países.

“Contos que não são de fadas”

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, em constante contato com a dura realidade dessas famílias, desenvolveu animações para a série “Contos que não são de fadas” que retrata a história real de crianças refugiadas que presenciaram conflitos em seus países de origem e seguiram suas famílias em busca de liberdade para sonhar.

Os vídeos fazem parte da campanha #actofhumanity – ato de humanidade – e trazem à tona inicialmente o relato de três personagens, Malak, Ivine e Mustafa, que no final se revelam protagonistas reais destas tristes histórias.

Confira uma das animações criadas pela campanha:

Acompanhe o depoimento de Malak, uma doce menina com história de gente grande para contar:

“Eu não gosto de deixar ninguém triste. Por que eu iria querer deixar você triste?
Eu gostaria de te contar a história de quando nós entramos no bote.
Ele era muito grande. Na primeira vez que eu vi, eu fiquei com medo. Mas quando eu entrei no bote, eu não tive medo. Eu não fiquei mais com medo.
Quando ele começou a se mover, a água começou a entrar no bote. E começamos a nos molhar. Parecia que eu e a minha mãe iríamos cair, que o bote iria afundar. Toda vez que a gente se mexia, a água nos molhava. E eu estava vestida como estou agora, exatamente como estou agora. Eu estava com muito muito muito frio.
Depois que eu fiquei gelada, comecei a ficar assustada. Tinha uma moça sentada na nossa bolsa e ela pensava que era dela. Ela deu a bolsa para um moço e ele jogou no mar. Todas as minhas coisas que estavam na bolsa eram novas. Eu só tinha usado uma vez. Eu disse para a minha mãe que eu queria usar de novo.
Minha mãe me garantiu que eu veria as coisas de novo, mas eu tinha certeza de que não.
Quando o sol nasceu, eu olhei para a minha mãe. Ela estava sentada na água, então eu a levantei. O combustível acabou e um pescador nos levou até a costa.
Quando estávamos na costa, saímos do bote, tiramos os coletes salva-vidas e fomos para as montanhas.
As montanhas eram muito muito altas. Toda vez que a gente chegava no topo eu achava que já tinha acabado, mas nós continuávamos mais e mais alto.
Eu juro que não me lembro onde a gente dormiu. Eu me esqueci. Eu não me lembro bem.
Depois que a gente terminou o caminho, nós nos limpamos da poeira e fomos à polícia.
Depois que terminamos na polícia, eles disseram que a gente poderia ir.
Eu sinto saudade da minha escola na Síria, e também da minha professora.
Ela era adorável, ela nunca me deixou triste.
Eu tinha um monte de amigos. Agora não sobrou nenhum.
Eu espero que as coisas voltem a ser como eram.
Eu espero que a Síria volte a ser como era.”

Muito mais sobre as ações da UNICEF e ONU você pode encontrar aqui:

E você? Quais têm sido seus atos de humanidade?

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