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Por que você não escolhe o conteúdo que consome?

Muitos acreditam piamente que tudo é uma questão de escolha: o que fazer, onde ir, como acessar informações. Será mesmo? Talvez nem tanto. Tudo começou há centenas de anos e até os hoje nos persegue – grande parte de nossas ações está sob influência de grupos de referência. Na Sociologia, este fenômeno é chamado de ‘socialização secundária’. Seja no jardim de infância, escola ou trabalho, sempre seremos influenciados pelo ambiente em que vivemos e ele determina muito do que fazemos.

3 Níveis de ilusão

Nada mudou muito desde que começamos a viver na Era Digital, omni-channel e mais um bocado de coisas legais. Ainda assim, continuamos prisioneiros de grupos sociais. Abaixo, algumas razões para que isso aconteça e por que profissionais de marketing devem se preocupar.

Compartilhamento. Tirania social

Em um mundo onde tantas pessoas criam conteúdos medíocres, encontrar algo valioso é simplesmente fantástico. Nos causa um sentimento de satisfação, ou estou errado? Esse sentimento nos leva a investir ainda mais na busca por conteúdo mais relevante e valioso.

Então, o que temos é um número crescente de… mamães e papais sociais! Em suma, eles são nossos amigos, colegas de trabalho, formadores de opinião. Nós os seguimos e os usamos como curadores, simplesmente porque confiamos neles. Mas existem ainda duas outras razões para explicarmos este fenômeno:

  • Temos preguiça de usar o próprio esforço para procurar conteúdo.
  • Temos o hábito de seguir nossos próprios grupos sociais (como já mencionei, isso não é novidade. Já acontece há centenas de anos porque temos como base ideias de eficiência social e segurança).

Por este motivo, ocorre um simples fato: mais de 60% dos usuários da web consomem conteúdo em redes sociais. Portanto, muitas das decisões que fazemos são ditadas por grupos de referência. Tenho certeza que muitos dos leitores encontraram este artigo no feed de algum amigo no Facebook.

conteúdo 2Sim, você pode usar diversos serviços que agregam conteúdo. Mas para ser honesto, isso vale mais como uma prerrogativa de profissionais da web e geeks. Grande parte dos usuários simplesmente ignora esses serviços. Eu, por exmplo, já tentei sem sucesso popularizar agregadores de conteúdo entre meus alunos. Eles estão mais preocupados, obviamente, em atualizar seus aplicativos de namoro do que usar informação de maneira eficiente. E isso é normal.

Reações Sociais = SEO. A Tirania da Busca

Em 2013, as reações sociais (curtidas, compartilharmento, tweets, +1s) passaram a ditar o principal indicador da classificação de links do Google. Conteúdo compartilhado é, de longe, o mais valioso para o gigante da busca. E provalmente você concordará. Afinal, a sociedade aprovou. Tão lógico quanto a regra dos sinais de Descartes.

Esta é, portanto, a triste realidade:

  • A relevância não é mais o princiapal fator de influência;
  • Popularidade e consentimento social significam tudo.

Sem querer ser mal-educado, mas eu não quero ser mais um maria vai com as outras. Onde está meu poder de escolha?

Serviços de Recomendação. A Tirania por todo lado!

Pode até parecer que existe uma solução – a personalização! Do Facebook ao Google, do New York Times ao Huffington Post. Em quase todos os canais de comunicação digital podemos notar o avanço de diferentes tipos de personalização, o que em teoria nos ajuda a obter conteúdo com base em nossos interesses, ou nos interesses de pessoas como nós. Soa tão extraordiário quanto embarcar em uma máquina do tempo!

Mas aqueles familiarizados com algoritmos de personalização conhecem a realidade: a personalização cobre apenas 50% dos interesses mútuos dos usuários. Após anos desenvolvendo soluções para filtros colaborativos, posso dizer que conheço bem a fragilidade desses métodos.

Por exemplo, eu detesto o método de recomendações do Facebook. Ele simplesmente enche o meu feed com uma enxurrada de spams e bobagens.

Por isso, mais uma vez: não consumimos o que realmente queremos. Continuamos cercados por grupos de referência.

E por que profissionais de marketing devem se importar?

Não me leve a mal. Esta situação nem é nosso maior problema. Afinal, já convivemos com ela há séculos e não nos importamos. Mas ela apresenta fatores cruciais para profissionais de marketing que desejam atingir um determinado público-alvo. Claro que o mesmo vale para políticos, mas este não é o objetivo deste artigo. 🙂

Líderes ainda são relevates

O mesmo acontece no ramo de vendas. Sempre existirão os responsáveis pela tomada de decisões. É inútil tentar vender para todo mundo ao mesmo tempo. Tentar vender para formadores de opinião é muito mais eficiente. Afinal, eles representam um canal de marketing e uma forma simples de atingir e influenciar membros específicos de um grupo, tais como seguidores, leitores ou assinantes.

Seja o mais social que você puder

Se você é uma grande marca, tudo bem falar sobre omni-channel, estratégias complexas, entre outras coisas. Mas se você é uma start-up ou um pequeno negócio, canalize suas energias em redes sociais e conteúdo de qualidade! Eu acredito sinceramente que conteúdo é um combustível, e as redes socias são os canais por onde ele flui. Atualmente, a distribuição social é a chave para atingir audiência e otimização para os mecanismos de busca.

Influência social é tudo

Isso mesmo. Humanos são seres suspeitos. Eles não compram se não confiam. A probabilidade de você o consumir um produto é maior se seus amigos gostam dele. Não tente nadar contra a corrente. Apenas espalhe por aí influências sociais, da mesma forma como eu adicionei hyperlinks neste artigo.

Conclusão

Sob meu ponto de vista, profissionais de marketing precisam ser cada vez mais pragmáticos e eficientes. Redes sociais e marketing de conteúdo já são indústrias maduras. Não há mais tempo para experimentos tolos ou alienados. Mais do que nunca, é crucial compreender por que consumimos, compramos ou curtimos algo.


Sobre o autor

Artem WelkerArtem Welker | Empreendedor, Palestrante, Consultor, Escritor.
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Artem é empreendedor de Marketing Digital, Mídia e Tecnologia da Informação. Ainda adolescente, lançou e vendeu seu primeiro projeto de mídia, Hardaretech, e escreveu artigos para diversos sites e revistas de TI.

Recentemente fundou duas companias: LikeHack e IdeaParcel. Também atua como consultor e ajuda startups a conquistarem sucesso no ambiente digital. Artem palestra em conferências de Marketing e TI, bem como incubadoras e universidades.

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