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política

Na política é necessário saber como o outro lado pensa

Assim como na publicidade tradicional, de mercado de bens e consumo, onde a agência e o cliente precisam entender como o consumidor pensa, para que a propaganda seja mais eficaz, na comunicação política eu diria que isso é ainda mais primordial.

Quando se trata de comunicação institucional, temos no geral alguns problemas. As pessoas que fazem uma gestão, muitas vezes estão tão ligadas à política representativa tradicional, que têm dificuldades de entender outros lados e outras correntes, fora do prisma partidário. Quando isso ocorre, os ruídos comunicacionais se tornam ainda maiores, dificultando a resolução de problemas, pois sempre acham que o outro lado é estritamente a oposição partidária. Bem, nem sempre é assim.

Nas chamadas Jornadas de Junho, ocorridas em 2013, as ações dos Black Blocs foram, em suma, muito mal interpretadas pela população civil. Mas, nada se comparou ao mau entendimento sobre o que era aquele grupo. Muitos se apressaram em afirmar que eram ligados ao PT. Por sua vez, o PT começou a apontar para a oposição, principalmente o PSDB. Já a grande mídia, quis ligá-los ao PSOL. E, na verdade, todos estavam errados, pois eles existem na Europa desde a década de 1980 e são em sua maioria anarquistas.

Como agir então, nesses casos? É preciso tentar entender como o outro lado pensa, começar a dialogar com esses grupos e tentar achar saídas mais pragmáticas. Dizer que se trata de oposição e não fazer nada é dar um tiro no próprio pé. E isso vale também para o outro lado. Os grupos políticos “apartidários”, que não são pautados por algum partido, precisam tentar entender como as gestões e os partidos pensam. Para isso, quanto menos ruído entre as informações, melhor.

Quando o Apartheid ainda estava em funcionamento na África do Sul, aos negros era imposto o aprendizado do Africâner – língua símbolo dos brancos – nas escolas. Na década de 1980, muitos se levantaram contra o ensino obrigatório do idioma. Mandela, de dentro da prisão, mandou um recado aos seus. Disse que eles deviam sim aprender a língua, porque assim, talvez, se tornasse um pouco mais fácil de entender a mente do opressor. E quando entendemos como o outro lado pensa, é óbvio que as nossas ações se tornam muito mais eficazes.

E só há uma forma de eliminar os ruídos e entender o outro lado: dialogando. Diálogo também é debate. Sem ele, não conhecemos a fundo o opressor e, também, não conhecemos o oprimido.

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