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Outbrain desvenda o que as pessoas não revelam sobre si mesmas no universo digital

Nossos amigos compartilham o conteúdo que lhes interessam nas redes sociais. Supostamente, o nosso feed de notícias do Facebook reflete nossas preferências de conteúdo e estão se tornando a principal fonte de informação. Mas a grande questão é: as pessoas compartilham todos os artigos que leem no Facebook? Elas realmente compartilham com os amigos todo o conteúdo que consomem?

Um estudo realizado pela Outbrain, conduzido por Dr. Roy Sasson, Chefe Cientista de Dados na Outbrain e Professor de Econometria, e Dr. Ram Meshulam, Gerente do time de Recomendações Orgânicas na Outbrain, avaliou mais de um bilhão de pontos de dados em centenas de publishers em todo o mundo em dois períodos de tempo em 2015 e 2016, e concluiu que existe uma diferença significativa entre o que lemos e o que compartilhamos com os amigos; ou seja, a relação entre o engajamento privado, medido por pageviews e CTR (click-through rate), e o engajamento social, medido pelo número de ações no Facebook, como a taxa de compartilhamento, é baixa.

O conteúdo online avaliado foi dividido em mais de 20 categorias (adulto, sexo, crime, moda, celebridades, educação, livros, música, carreiras, artes, games, televisão, cinema, religião, entre outras) usando algoritmo de linguagem natural e classificado de acordo com a relação entre o número de leitores que leram um artigo sobre um determinado tema e o número de leitores que compartilharam o artigo no Facebook. Uma análise mais aprofundada revela que a dissonância entre o engajamento privado e engajamento social depende da categoria de conteúdo.

Categorias como sexo, crime e celebridades têm mais envolvimento privado do que engajamento social. Por outro lado, categorias como livros, carreiras e música têm maior engajamento social do que o engajamento privado. Portanto, as pessoas estão mais propensas a compartilhar artigos sobre desastres naturais, arte, educação, arquitetura, carreiras e literatura do que artigos sobre sexo, celebridades, beleza e moda.

Segundo o estudo, as categorias que receberam muitas visualizações e alguns compartilhamentos não refletem necessariamente a personalidade de quem as consome. A maior parte deles pode ser considerada superficial, sexual, ou abrupto. No entanto, as categorias que receberam muitos compartilhamentos e poucas visualizações são considerados profundos e intelectuais. E os dados revelaram que isto não foi um caso isolado a um determinado país ou região – é um padrão global.

O estudo mostra que conteúdo que aparece nas redes sociais não representa os interesses dos leitores; os leitores não querem compartilhar determinados temas nos quais estão interessados com sua mãe ou com seu chefe, por exemplo. Estes resultados podem ser relevantes para publishers, profissionais de marketing de conteúdo, arquitetos de sistemas de recomendação e pesquisadores que desejam usar sinais sociais a fim de medir e prever o envolvimento do usuário.

Um exemplo do estudo é sobre conteúdos relacionados a casamento. Há uma variação no que as pessoas leem e o que compartilham: as pessoas costumam ler mais e compartilhar menos sobre casamentos de celebridades, o que elas vestem e o looks de cabelo e maquiagem. Por outro lado, elas compartilham mais e leem menos conteúdos como “10 formas de guardar dinheiro para o seu casamento”, ou dicas gerais para encontrar o vestido que combina com seu corpo.

“O nível de engajamento dos usuários com conteúdo on-line é uma importante medida de tomada de decisão. Ele pode ajudar os editores a decidir o que escrever, ou o conteúdo para promover, tanto em suas próprias homepages ou através de outros canais de distribuição, como o patrocínio de seu conteúdo em outras plataformas. É também um sinal importante para sistemas de recomendação que visam maximizar o envolvimento do usuário”, comenta Luiz Biagiotti, Country Manager Brasil na Outbrain.

E agora?

No geral, esses dados nos levam a duas grandes conclusões:

  1. Há uma infinidade de conteúdo interessante que os leitores quase nunca se deparam através das mídias sociais. Isso acontece porque os leitores não revelam de verdade o interesse que têm naquele conteúdo.
  2. Talvez ainda mais significativamente, a imagem que a mídia social cria é extremamente distorcida. Isto também implica em que muitos aplicativos que monitoram as palavras mais comentadas nas mídias sociais, que são usadas por empresas e são a base para pesquisas, não representam o verdadeiro interesse dos leitores.

Em nossa sociedade dominada pelas redes sociais, o leitor tem um enorme poder, às vezes equivalente ao de um editor de revista. O leitor decide com base em seu entorno (e as pessoas ligadas a eles em sua rede), que conteúdo irá expor os outros. Uma vez que a decisão não é feita com base no nível de interesse que têm em determinado conteúdo, o atual “mapa do mundo de interesses” que vemos é distorcido. Este, por sua vez, eventualmente, alimenta os algoritmos que recomendam mais conteúdo para nós.

Um sistema de recomendação, seja ele humano ou automático, deve levar isso em consideração e encontrar maneiras mais eficientes e científicas para corrigir essas distorções, ou equilibrar essas representações com dados de uma fonte que reflita as verdadeiras preferências do leitor.

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