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Para quem prevê o fim do Facebook

facebookNesta última semana, li uma notícia sobre o valor atual das ações do Facebook que me levou de volta a 2010, para uma mesa de bar no bairro de Higienópolis, em São Paulo. A notícia eu conto a seguir, mas vale contar o que se passou naquela mesa.

Há 4 anos, uma conhecida minha que acabava de largar o seu emprego fixo para fundar sua micro-agência digital especializada em Facebook ads conversava comigo. Na ocasião, ela me contou sobre sua nova empreitada e eu achei tudo aquilo muito louco. Largar o emprego fixo para cuidar de campanhas que tivessem como plataforma exclusiva uma (única) rede social? Que tipo de aposta era essa? Durante o diálogo – talvez já um pouco bêbado – eu a questionei sobre a segurança que ela tinha em depositar sua confiança (e toda a sua poupança bancária) em um negócio que se voltava apenas para campanhas no Facebook, ressaltando a extensa lista de outras redes sociais que tomavam o mercado digital até então mas que, em questão de 2 ou 3 anos, começavam a sumir ou a mostrar sinais de declínio. A resposta que ouvi, enfática, quase que com fervor religioso, foi:

O Facebook é diferente. Mark Zuckerberg é diferente. Ele tem outra visão de um negócio como o dele que não é compartilhada por nenhum dos seus concorrentes. Entende dos seus usuários, entende de tecnologia, entende de inovação. Com ele, será diferente”.

Isso soou um pouco como promessa política aos meus ouvidos e eu achei tudo uma grande bobagem de uma entusiasta. Louvável, mas bobagem.

Não era a primeira nem a última vez em que eu estive redondamente enganado em uma conversa de bar. Hoje, creio que estaria mais satisfeito com a renda que ela conquistou de lá pra cá. Ela estava certa e hoje eu sou obrigado a admitir que, embora existam outras redes sociais até mais interessantes no mercado, o “projeto Facebook” é o único dos grandes players em redes sociais que encontrou seu rumo. E falo isso sem ceticismo, sem desacreditar na rede em função de tudo o que ela passou desde a abertura das suas ações, em 2012, até o começo deste ano.

O ótimo desempenho do Facebook

Chegou aqui a notícia que mencionei no começo do texto, que conta que as ações do Facebook têm demonstrado ótimo desempenho nos últimos meses. Para quem não sabe, Zuckerberg lançou suas ações em 2012 a US$ 38,00 e assistiu ao declínio deste valor nos meses seguintes, chegando a R$ 18,00 em setembro/2012. Contudo, a notícia explica que as ações (que já haviam demonstrado melhora neste ano) dispararam em 17 de maio e atingiram o valor de US$ 53,83. Hoje, elas já estão valendo US$ 60,93.

A notícia aponta o investimento em publicidade mobile como fator que impulsionou o otimismo dos acionistas. Isso já não é novidade: mais de 70% dos acessos ao Facebook vêm de plataformas mobile. Esta informação pode – ou deve – fazer com que você repense sua campanha, caso tenha como target os usuários da rede e não considere que ela pode estar sendo lida em um vagão de metrô ou no meio da academia.

Chamo a atenção aqui, porém, para a capacidade que Mark e seu império têm de se ajustar a tendências comportamentais e a ditar as novas regras do jogo. Convenhamos: o edge rank, por exemplo, já é um conceito polêmico na relação entre empresas, Facebook e clientes. Mas é também uma das formas mais eficientes (maléfica ou não) que a rede social encontrou pra melhorar o faturamento obtido com sua base de dados. Foi ousado estipular esta forma de “filtro”, assim como será ousado pensar nos formatos mais apropriados para a publicidade em plataformas móveis.

Na última semana, a rede fechou contrato milionário com o Publicis Groupe, como conta o Advertising Age. Segundo o site, as empresas do grupo (e, consequentemente, seus clientes) passam a ter vantagens competitivas nas negociações de mídia com a rede e acesso a informações dos usuários que, apesar de não terem sido detalhadas ao mercado, serão exclusivas. Para quem um dia foi cético, como eu, é mais uma prova de que Zuckerberg sabe jogar. Se tudo aquilo que o filme “A Rede Social” conta for verdade, quem assistiu sabe dos conflitos “publicidade vs. espaço livre” que regem a rotina nas dependências do Facebook. Mas, pelo que parece, Zuckerberg consegue atuar no meio termo. Com ele, parece, está sendo diferente.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP