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O rock and roll e a arte de contar histórias

Storytelling

O primeiro livro de 2013 que resolvi ler foi o “This is a call – a vida e a música de Dave Grohl”, que é uma biografia “não-oficial” de um dos artistas de rock mais importantes das últimas décadas. A princípio um livro que nada tem a ver com marketing e comunicação, mas como todo livro acabou me dando alguns insights sobre como o “cotidiano” explica muitas coisas que acontecem nos negócios (gosto de ler e prestar atenção em comportamentos, atitudes e informações que possam ser relacionadas porque no fim, as teorias de marketing e comunicação hoje refletem o que nós somos. Como propõe o autor Geoffrey Miller no livro “Darwin vai às compras”: o marketing ajuda a moldar a cultura).

O livro me deu ideia para dois posts um sobre empreendedorismo e outro para tratar do tão falado “storytelling”. Esse é um assunto que nem é novo, pois marcas contam histórias faz tempo. O que muda é que hoje fica mais relevante pelo simples motivo de que boas histórias prendem e chamam a atenção, e sabemos que o grande desafio dos profissionais hoje é justamente prender a atenção dos consumidores que são expostos a centenas de mensagens por dia. Boas histórias se tornam memes (na definição do Richard Dawkins) que se espalham entre os indivíduos e se afirmam de certa maneira na sociedade. E o que o rock and roll tem semelhante?

No livro, ao falar do momento do Dave Grohl no Nirvana, inevitavelmente o nome de Kurt Cobain surgiu e uma das questões a respeito dele era a “mania” de contar diferentes histórias de sua vida, de seu passado, que nem sempre eram verdadeiras mas que eram mais interessantes. Não era uma mentira para dissimular a opinião pública e sim  uma forma de deixar as coisas mais atrativas para ele. Então muito do que se acredita a respeito do Kurt são diferentes para quem conviveu com ele e o Dave Grohl deixa isso claro quando afirma que ele conheceu uma outra pessoa, mas que as histórias se tornaram lendas e o mito foi criado. Parem pra pensar quantos artistas estão envoltos em mitos e lendas que só contribuem para seu sucesso? O Bowie já foi Ziggy Stardust. Temos o Ozzy que é o cara que come morcegos. O próprio Kiss, que eu já falei sobre a questão de posicionamento, atraiu pelos personagens e não apenas pela música e cada indivíduo “real”. Artistas criam nomes artísticos, que acabam por si só contando histórias. A figura do Slash com a cartola e cabelos na cara remete ao guitarrista do Guns em qualquer situação. Tudo isso chama atenção, tudo isso faz parte do “contar uma história”, isso é “storytelling”.

Vamos pensar nas marcas e na ideia de envolver o consumidor numa história atrativa. Diversos canais são utilizados para isso, mas nem todos são atingidos da mesma maneira. Nisso entra aquela velha história do marketing e a guerra de percepções, cada um assimila a história do seu modo, faz uma análise se aquilo faz sentido para ela e passa a lembrar e se relacionar com aqueles envolvidos. Não é nada novo e revolucionárias essa ideia dos “marketeiros”  (sem qualquer intensão de utilizar o termo de forma pejorativa) de contar histórias para atrair a atenção. Ela sempre esteve presente!

Marcas como Stella Artois que coloca no seu rótulo uma data que para muitos é a de origem e que remete a tradição, mas que não significa absolutamente nada. A Häagen-Dazs que não quer dizer nada e seu nome foi estrategicamente utilizado para fazer relação com alpes dinamarqueses e vacas leiteiras suíças, mas é uma empresa americana. Simplesmente agora, com novas mídias e um contato mais direto com os consumidores devido as novas ferramentas que surgiram na internet, ficou mais evidente a importância disso tudo. Pra terminar, vou citar um professor meu da faculdade de administração que uma vez disse o seguinte: “Pessoal, se vocês quiserem fechar os melhores negócios aprendam a tomar whisky pois todos os maiores executivos bebem”. Não sei se é verdade isso, mas a ideia é a mesma de se criar um personagem, contar uma história de quem tu é, atrair a atenção e conquistar um lugar bem interessante na mente da outra pessoa.

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