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O que eu gostei no youPIX POA parte 1: Dia 17 de agosto.

Segunda-feira eu escrevi aqui a minha ideia geral de como foi o youPIX em Porto Alegre. Agora irei falar especificamente das coisas que eu gostei de ouvir por lá. A primeira conversa que achei interessante foi a que teve como tema “Gameficação x Badgeficação: quem ganha mais?” e aconteceu no espaço le hub.

Como todos devem imaginar a conversa foi em torno dessa onda de sites e aplicativos que distribuem badges para os usuários dependendo de suas ações, como é o caso do Foursquare e o GetGlue. Teve um debate mais conceitual do que é ser um jogo ou apenas se apropriar de elementos de um jogo e ser um “distribuidor” de badges mas acho que aqui não é o mais interessante a ser dito. Sabemos que existem os advergames onde as marcas criam jogos pra envolver as pessoas de uma maneira mais emocional, digamos assim. O caso aqui é falar sobre essa distribuição de badges como uma forma de recompensa social.

Recompensas por determinadas ações que fizemos existem mesmo antes da popularização da internet. As empresas que fabricavam vídeo-games já recompensavam com badges seus gamers mais bem sucedidos. Escoteiros recebem badges por conquistas. O exército se organiza dessa maneira. Nossos professores nos davam estrelinhas por trabalhos bem feitos. Somos movidos por recompensas (só não confundam com acreditar que recompensas financeiras funcionam sempre, o que já se sabe não ser verdade) e aplicativos como Foursquare e GetGlue nos entregam isso.

Nessa conversa, além do lado mais psicológico, também foi falado sobre como as marcas podem usar isso a seu favor. Primeiro veio o básico: antes de decidir utilizar uma estratégia assim é saber onde quer chegar. Por que eu estou no Foursquare? Por que eu vou oferecer badges próprios? Por que eu vou criar um advergame? É a velha questão do planejamento com objetivos específicos que irão agregar valor a marca e não somente entreter as pessoas. Entretenimento por si só não constrói marcas (é a velha questão de postar coisas bonitinhas no Facebook pra ter muitos likes e shares sem nenhuma relação com a marca. No outro dia aposto que a maioria das pessoas nem lembra a organização que começou tudo).

Outro lado da conversa foi trazer uma certa falta de maturidade do uso no Brasil por parte das marcas e usuários. Enquanto em lugares como os Estados Unidos já se enxerga isso de forma estratégica e acaba “educando” quem utiliza a perceber isso, por aqui ainda é muito “todo mundo está fazendo, também vou fazer” e cria um perfil de usuário que quer apenas “brincar” e conquistar os badges dando check-in, no caso do Foursquare, em qualquer lugar só pra ter pontos e não necessariamente pelo benefício real que poderiam receber (exceto essa questão da recompensa social de dizer que é mayor de alguns lugares, que tem vários badges e por aí vai).

Resumindo, o que eu achei mais importante e na verdade valida o que eu já acredito, é que sempre é importante uma marca saber as forças da ferramenta que pretende usar e ver se elas irão ajudar a chegar a algum objetivo específico e não só por ser legal.

A outra conversa que eu gostei foi a que tratou sobre “A nova lei da internet”.

O debate se envolveu no Marco Civil da Internet (mais informações aqui) que está circulando no congresso nacional. Esse ano se viu um forte movimento para regulamentar e de uma forma criminalizar atividades das pessoas na web. No caso muito forte está a questão dos direitos autorais, pois a indústria do entretenimento se sente muito ameaçada. O Marco Civil da Internet é uma forma de criar uma legislação no Brasil pra definir direitos e deveres dos usuários. A questão toda é que ele pretende estabelecer e garantir coisas como a neutralidade da rede e proibir  que medidas contra usuários sejam tomadas sem uma decisão judicial.

Pra entender esse cenário, deixo um exemplo: alguém posta um conteúdo e alguém se julga no direito de exigir que esse conteúdo seja retirado do ar por ter, supostamente, infringido alguma lei. Sem decisão nenhuma judicial, teoricamente, quem publicou o conteúdo não teria porque apagar, mas isso acontece ou ao menos tem gente se sentindo no direito de exigir isso. Na conversa veio daí aquela ideia das partes conversarem e chegarem em um acordo seja colocando uma referência do conteúdo de origem seja até apagando. Acontece que uma coisa é a relação entre duas pessoas em um mesmo nível de forças outra é quando alguém mais forte entra na jogada. Lembram de toda polêmica em torno do “Falha de São Paulo”? A Folha de São Paulo se sentiu ameaçada e fez pressão para que o site fosse retirado do ar.

Outro tema da conversa foi sobre o famoso “AI5 Digital” do deputado Eduardo Azeredo. O que se acredita é que a “Lei Azeredo” tem como finalidade criar uma forma de “viglantismo” na internet. A defesa dessa lei é alegar que seria pra buscar criminosos como pedófilos, mas ela se aplicaria pra qualquer motivo que queiram vigiar alguém na rede. Uma das razões pra isso é alegar que o sistema judicial é lento pra ter que aprovar alguma medida mais drástica, mas se isso é a verdade então que melhore o sistema judicial como um todo e não se crie uma medida que pode trazer consequências ruins para todos os usuários da internet. Todos sabemos que a rede pode ser um meio rápido pra auxiliar a polícia em alguma investigação, mas antes dela também se resolviam crimes e sempre foi necessário seguir medidas rigorosas para tal e não é criando um ambiente de “vigilância” que irá melhorar.

Incrivelmente, essas duas conversas que vi com um conteúdo bem interessante e debates mais profundos tinham um público menor do que as mais “hypes”. Depois delas fui pra casa e vi online a entrevista do Piangers, da Rádio Atlântida aqui de Porto Alegre, com o Rafinha Bastos. Uma conversa divertida e que rendeu boas risadas. Assim terminou o primeiro dia de youPIX pra mim. No próximo post escrevo sobre o segundo! Até segunda!

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