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O comércio olímpico: patrocinadores e as olimpíadas.

Nos primórdios dos jogos a palavra “amadorismo” era levada a sério. Os atletas que disputavam as olimpíadas não podiam ter nenhum patrocinador. Nesse cenário duas grandes marcas de materiais esportivos começaram a mudar a história do esporte olímpico: Puma e Adidas. Pra promover seus calçados de corridas, representantes de cada marca iam até os locais dos jogos e davam seus tênis para os atletas, mas não podiam garantir a fidelidade dos mesmos. Inclusive as três listras brancas clássicas da Adidas surgiram quando Adi Dassler pensou em uma maneira de diferenciar seu produto no meio de todos os outros calçados de corridas: pintando as tiras de couro que reforçavam os tênis.

Em um momento dos jogos o patrocínio que já estava acontecendo nos bastidores e por baixo dos panos foi liberado. E isso nos traz até os jogos que ocorrem em Londres esse ano. Olhando algumas competições vi que existe uma “guerra” das marcas. Um exemplo é o Brasil. O Comitê Olímpico é patrocinado pela Nike, mas diferentes confederações tem diferentes patrocínios, como por exemplo, a Olympikus. Num jogo de tênis de duplas entre Suíça e Japão, a dupla japonesa utilizava camiseta Adidas. Um dos atletas deveria ser patrocinado pela marca e utilizava um tênis Adidas. O outro utilizava tênis de outra fornecedora e sua camiseta tinha um símbolo sobre a marca da Adidas. Por aí tudo normal, certo? O problema começa agora.

O Brasil teve sua atleta Jade Barbosa cortada por problemas contratuais envolvendo diferentes patrocinadores pessoais e da equipe. Na Inglaterra tem uma polêmica no ar que é os muitos locais vazios nas arenas onde são disputadas as competições. O pior que isso nem é por falta de procura, pois muitas delas anunciavam que os ingressos estavam esgotados pra compra popular. O que está sendo falado por lá é que esses ingressos estariam nas mãos de patrocinadores que não estão utilizando os mesmos. Já os patrocinadores se defendem e dizem que eles estão utilizando todos e o problema está nas confederações dos países que não tem usado suas cotas. Outro caso é que a tão falado “Jogos Olímpicos Social Media” tem uma política por parte do Comitê Olímpico Internacional de bloquear conteúdo no Youtube com base nos direitos autorais. Será que não é uma medida pra proteger seus patrocinadores? Com isso eu pergunto: será que os valores não estão sendo invertidos?

Sei muito bem que uma marca se envolver com o esporte da muito retorno e é uma estratégia bem interessante, mas será que não tem ocorrido um exagero? Ingressos nas mãos de patrocinadores enquanto a população não tem acesso pois dizem estar esgotados?  Até que ponto é certo um país cortar uma atleta que pode competir em alto nível por problemas contratuais e de patrocínio? Dessa forma chegamos aos casos extremos como os da FIFA que praticamente obrigam os países sede a aprovar leis rígidas contra o famoso “marketing de emboscada”.

Isso tudo me fez pensar. Parece que da era do amadorismo total dos Jogos Olímpicos chegamos em uma que é totalmente comercial, priorizando marcas no lugar dos que realmente fazem os jogos: atletas e público. E vocês, o que pensam disso?

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Um comentário em “O comércio olímpico: patrocinadores e as olimpíadas.

  1. Eles torraram mais de 1 bilhão de libras nos Jogos – e são odiados em Londres e no resto do país. Para os cartolas olímpicos, porém, não há motivo para tanto

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