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abuso

Ninguém quer falar sobre abuso (?)

Realmente preferia que isso não fosse necessário. Seria melhor nem ter de tocar nesse assunto ou mesmo precisar mencionar isso de alguma forma para alguém. Mas sinto dizer, precisamos falar sobre abuso. Me desculpe se você considera o tema saturado, ou de alguma forma acha que isso pode ser “mimimi” de grupos A ou B. Na verdade, eu não deveria sequer me desculpar, mas a polidez se faz necessária. O ponto é que não podemos fechar os olhos para isso, e se você o faz, não sou eu quem precisa pedir desculpas.

 

Dentre 84 países, o nosso é o sétimo do mundo com o maior número de mulheres mortas. Sendo mais claro, no Brasil, a cada dois minutos cinco mulheres sofrem agressões. Esses são fatos que gritam dia a dia nas mais simples situações em que possamos estar envolvidos. Como em um elevador por exemplo:

O vídeo acima trata-se de um experimento social realizado pela AbudTV. Contava com atores, câmeras escondidas e toda uma produção responsável pela ação. Mas, na realidade, isso pode estar acontecendo  ao nosso lado e nós não queiramos nos responsabilizar pela situação. Por que das 41 pessoas que entraram no elevador apenas 2 reagiram ao agressor? Isso é de se questionar não é?

Infelizmente, isso não se restringe aos ambientes mais privados, ou fechados, por assim dizer. Chega um momento em que se percebe o quanto a naturalização do abuso se dá de forma escrachada mesmo, aberta aos que quiserem ver. No vídeo seguinte temos outro experimento. Este, realizado pelo Centro Europeu Neurosaulus, tinha o objetivo de testar a espontaneidade com que os agressores agiam. O resultado mostra o quanto isso é natural para eles:

O experimento realizado em Madrid mostra que isso não é uma particularidade brasileira, e que não são apenas as nossas ruas que se calam diante de cenas como essas. No vídeo, as únicas pessoas que se pronunciaram, foram homens que, mesmo sob a prerrogativa de ajudar, ofereciam mais álcool à mulher ou lhe queriam levar para outros lugares e afins. Acho que não é muito difícil deduzir do que se tratava esta ajuda.

E é disso que trata o silêncio que fazemos perante às agressões e abusos cotidianos. É isto que a omissão promove. São cenas e situações como essas que se perpetuam a cada não denúncia. É esta cultura que se propaga a cada vez que viramos o rosto para esta realidade. Então, é sério que ninguém quer falar sobre abuso? Precisamos melhorar, com urgência.

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