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Muito cuidado com os números ao analisar a web

“De acordo com as leis da probabilidade, se você olhar bem ao redor, está sujeito a encontrar alguma coisa interessante… O ouro dos tolos da pesquisa de dados são as correlações estatísticas que parecem surpreendentes e profundas, apesar de insignificantes”.

Esse texto eu peguei do livro Subliminar de Leonard Mlodinow. A ideia do livro é mostrar como o inconsciente influencia nossas vidas. Essa discussão é muito válida mas quero focar aqui é na questão de como podemos nos enganar ao analisar informações “brutas” sem considerar um contexto e ter um conhecimento de como nós nos comportamos. Nós somos “programados” para procurar padrões e o aleatório nos deixa desconfortáveis, por isso a primeira parte do parágrafo acima é tão verdadeira pois facilmente encontraremos algo interessante que está associado as nossas próprias crenças se ficarmos olhando ao nosso redor.

A segunda parte do parágrafo mostra os perigos de se fixar em números que não dizem muita coisa fora de contexto. Com certeza essa é a armadilha que a Pepsi caiu no seu famoso teste cego. Estava lá, na frente deles em um resultado numérico, estatístico, bruto que as pessoas preferiam a Pepsi. Quando o teste levou em conta fatores inconscientes como a força da marca da Coca-Cola os resultados foram totalmente diferentes. Hoje eu vi um vídeo em um canal bem legal de um matemático (o nome do canal é Numberphile e o vídeo em questão pode ser acessado AQUI) sobre um estudo que mostrou que crenças políticas afetaram a capacidade das pessoas em analisar dados matemáticos concretos. Novamente o inconsciente teve participação no julgamento.

Vocês podem estar pensando: Por que eu deveria me importar com isso? Esses dias a Adobe lançou um vídeo (veja AQUI) onde uma empresa produz enciclopédias em um ritmo frenético baseado em informações de cliques em um botão no seu site. O que o pessoal do marketing via era um valor bruto de cliques e tomou uma decisão apenas em cima disso. Claro que foi uma maneira forçada de mostrar com um bebê clicando repetidas vezes no botão, mas a lógica do erro é a seguinte: não consideraram o contexto e os possíveis motivos de alguém estar clicando naquele botão. Acham que essa análise míope é incomum?

Parem pra pensar todos os infográficos a respeito das redes sociais que vocês já viram. Tem de tudo e muitos contradizem uns aos outros. É números sobre melhores horários para postar, sobre quantidade de posts, sobre quais dias o e-mail funciona melhor, sobre qual tipo de postagem é mais adequada… e por aí vai. Caso os responsáveis pelo marketing das empresas fossem seguir a risca, todas as marcas iriam postar na mesma hora, nos mesmos dias, os mesmos conteúdos e fariam sucesso. Não é isso o que acontece. De nada adianta saber todas essas informações brutas se não tiver alguém pensando porque elas são assim e se isso funciona para quem eles querem atingir. Um bom tempo atrás existiu um “hype” sobre o Google Plus cheio de dados sobre o volume e crescimento e até hoje ninguém sabe pra onde ele vai (na época parecia que iriam dominar o mundo rapidamente). Aquelas informações eram extremamente insignificantes, o legítimo ouro de tolo da ideia do trecho do livro.

Qualquer análise que vamos fazer de comportamento das pessoas deve vir acompanhada de um forte entendimento sobre pessoas. Os números não dizem muita coisa fora de contexto. Não nos importa ver que clicaram 100 vezes em tal link e isso representou 30% a mais que outro link. Nos importa saber porque motivo as pessoas clicaram mais ali. Não importa saber que na quinta-feira as 20h é quando se compartilha mais no Facebook (ainda mais quando as diferenças de percentual são mínimas e talvez nem seja representativa) e sim porque no geral as pessoas fazem isso e se está de acordo com as pessoas que nos importam. Pode ser que os que eu quero atingir estão compartilhando mais na segunda.

Ferramentas para nos dar essas informações brutas tem bastante. Podemos ter números dos nossos sites, redes sociais e projetos na web facilmente. O que não se encontra com facilidade é gente que tenha a capacidade de analisar isso e ter insights de valor. Vejo que tem muita gente por aí reproduzindo “modinhas” sem nenhum julgamento. O exercício mais difícil para uma pessoa que precisa analisar é limpar sua mente de uma crença pré estabelecida. No estudo que citei a posição política afetava a análise. Nossas crenças irão nos afetar. Por isso quanto mais cuidado tomarmos com os números e quanto mais buscarmos opiniões divergentes, quanto mais estudarmos diferentes assuntos e quanto mais assumirmos que precisamos questionar, maior a chance de não cairmos em armadilhas.

Muito cuidado com os números ao analisar a web, precisamos lembrar que existe uma pessoa do outro lado e é ela que merece nosso maior entendimento.

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