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storytelling

Meus 5 aprendizados recentes em conteúdo e storytelling

Nos últimos dias 17 e 18, eu participei do seminário de comunicação midia.JOR. O segundo dia do evento trouxe o mais interessante de todos os painéis, na minha opinião: vídeo na internet como modelo de negócio. Bia Granja (fundadora e curadora do YouPix), Gustavo Teles (do Influencers) e Marcelo Botta (do Amada Foca) reuniram-se para um debate que permeou algumas das iniciativas mais interessantes – ou bem sucedidas – da internet nos últimos tempos.

Para mim, que não apenas me interesso pelo assunto mas também faço planos para me envolver em projetos de produção de conteúdo e de uso do storytelling como ferramenta de branding, as histórias contadas no painel surtiram efeito entorpecente. Foi uma injeção de adrenalina e eu saí dali com vontade de filmar cada ideia que me pintasse à cabeça dali para frente e transformar em história.

Como nem tudo são flores, como esse mundo é injusto com os criativos e como esse anseio exacerbado logo passaria, optei por deixar a poeira baixar, rever algumas das ideias lançadas durante o debate, ler mais sobre o assunto em outras fontes e tirar algumas outras conclusões por conta própria. Afinal, de todas as minhas ideias, talvez 30% sejam executáveis e 5% despertem o interesse de outras pessoas (sejamos realistas!). Resolvi fazê-lo aqui, agora, neste texto. Quem sabe as conclusões não motivem outras pessoas também a se lançar no segmento?

Em cinco tópicos, porque fica mais claro:

1. A COMUNICAÇÃO MUDOU. E ISSO NÃO SIGNIFICA QUE A CREDIBILIDADE ESTÁ EM EXTINÇÃO.
Em primeiro lugar, a mensagem mais óbvia e repetida (ao mesmo tempo, uma das mais esquecidas). Quem atua em storytelling e conteúdo para marcas – ou quem de alguma forma pensa em trabalhar com product placement ou mensagem publicitária dentro do conteúdo que já produz – já sabe que a relação entre marca e consumidor mudou. Os velhos “compre”, “inscreva-se” e “imperdível”, ainda têm lá seus resultados. Mas a verdade é que na comunicação o imperativo tem dado lugar para o emocionante, o lúdico e admirável. Além do mais, separar conteúdo da mensagem publicitária é algo que tende a dar cada vez menos resultado. E não, quando falamos disso, não estamos falando de conteúdo enviesado ou comprado. Transmitir informação independente (seja na dramaturgia, humor ou até no jornalismo) não precisa significar o distanciamento das marcas. Pelo contrário: quem mais investe em conteúdo está mais interessado em ter seu nome atrelado à produção isenta e de qualidade do que a produtos vendidos e de qualidade questionável.

2. A FÓRMULA É NÃO REPETIR FÓRMULAS.
Dito isso, o exercício está em encontrar as formas criativas e eficientes de trabalhar com branding no conteúdo. E sempre que se fala sobre isso em eventos ou editoriais, as conclusões são similares:

Tudo é muito turvo e incerto.
Agências e clientes ainda estão aprendendo.
O Brasil ainda engatinha no storytelling.

E a razão para as respostas serem essas é simples: é tudo verdade. Adiciono ainda um adendo à última conclusão: o país está engatinhando, mas EUA e Europa acabaram de aprender a andar também. E se essa for uma analogia válida para a compreensão da mensagem, vale dizer que quando se aprende a andar, a gravidade muda, o solo inclina e nós temos que reaprender. A regra é: não há mais regras. O que funciona hoje não funciona amanhã. Não se pode falar do que “dá certo”, mas sim do que “está dando certo” – e como está.

3. ENCONTRE SEU NICHO.
Não importa se o projeto é um blog, uma página no Facebook, um canal do YouTube, um site. Não importa se é um projeto paralelo ou se é o foco do seu tempo: é trabalho. E como qualquer trabalho, tanto quem o desempenha como quem é atendido por ele precisa estar satisfeito. Sobre o quê você quer falar? Sobre o quê você PODE falar? Do que você entende? Há quem goste e queira ler/assistir/ver mais sobre isso? Falar sobre TUDO e ser bem sucedido com isso é um benefício a que poucos têm direito – e têm direito a isso porque no passado souberam contar histórias para nichos.

4. MÍDIA ONLINE PAGA AJUDA. MAS ESTÁ LONGE DE RESOLVER O PROBLEMA.
Aqui refiro-me especialmente às mídias sociais. Investir em mídia paga no Google, Facebook, Twitter parece fazer muito mais sentido para promover produtos e serviços do que para promover conteúdo. A lógica é simples: anunciando se consegue números. Audiência, frequência, views – as medidas podem ser as que forem. O que não necessariamente se consegue com mídia paga são valores. Credibilidade, fidelidade, identificação, engajamento: até que ponto vale a pena investir em números e deixar de lado o investimento em retornos como estes? Mais: boa parte dos compradores de mídia já dão mais mérito a projetos que agreguem valores do que aos que agreguem números. E ao que tudo indica isso é uma tendência. Programe, planeje, anuncie, mas saiba: não é isso que vai salvar.

5. CONFIE NO SEU TRABALHO.
Um bom trabalho se vende por conta própria. É claro que talvez não o suficiente para se auto-sustentar de início, mas a única arma com que qualquer profissional pode contar independentemente das condições do mercado para ser bem sucedido é a confiança no produto. Acreditar e investir no conteúdo produzido é a melhor maneira de garantir o retorno financeiro dele, ainda que a médio ou longo prazo. É confiando também que se encontram os argumentos de venda necessários para defender seu projeto e financiá-lo. E quando bem executado, na verdade, o trabalho não precisará de muitos argumentos de venda – ela virá de forma tão orgânica quanto a audiência, as parcerias e a influência. Confiança no resultado é o melhor argumento em qualquer media kit.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP