Skip to main content
medium

Como o Medium vai permitir a monetização do conteúdo?

A plataforma para textos long-form Medium vem sofrendo pressão considerável desde a sua consolidação na web. Escritores, jornalistas e produtores de conteúdo que descobriram nela um espaço limpo e objetivo para expôr seus textos anseiam por maneiras de ganhar dinheiro com conteúdo publicado lá. O argumento é o de que a possibilidade de ganhar dinheiro vai atrair mais produtores, mais empenho, mais divulgação e, consequentemente, mais leitores.

O Medium, por sua vez, parecia relutar em incorporar formas de monetização no seu ferramental. A preocupação com a experiência de leitura sempre falou mais alto e justificou o flat design e a objetividade do visual padrão dos textos no site. Além disso, os valores defendidos pelo site sempre foram muito claros: abominam o tratamento mercadológico que as empresas de mídia dão ao seu conteúdo. Fogem desse parâmetro e não estruturam seu negócio com base em clicks, pageviews ou unique visitors. Dizem valorizar critérios como a qualidade do conteúdo e o tempo gasto na leitura de textos. Transformam qualquer ato – leitura, marcação de trechos, recomendações – em métricas para o autor.

 

Contudo, os investimentos feitos no Medium precisam dar retornos. Só em setembro do último ano o site recebeu um aporte de U$ 57 milhões. Obviamente, um aporte como este garante aos investidores retornos que não necessariamente estejam relacionados à monetização da plataforma e às intervenções na experiência de leitura do usuário. Mas o investimento de tempo e dedicação que nós, produtores de conteúdo, fazemos na plataforma cedo ou tarde passa sim a depender da chance de ganhar dinheiro com ela.

evan williams medium

PARECE QUE O JOGO MUDOU

Em entrevista cedida à BBC, Evan Williams, um dos fundadores do Medium, conta que até o final de março o site deve começar a oferecer alternativas de monetização aos seus usuários. No passado, a BMW já participou de um teste com o patrocínio a um canal de artigos sobre design. Mas nem mesmo Evan parece saber dizer se as novidades serão parecidas com este teste. Em sua entrevista, o empresário não parece muito seguro ao tentar explicar como essa monetização vai acontecer. E não é por menos: a maior preocupação dos leitores é que ele se torne um emaranhado de ad-banners que corrompam a imagem que o Medium conquistou até aqui (e a ideia de monetização tradicionalmente leva produtores de conteúdo a pensar que este seja o melhor caminho a ser seguido). Quanto a isso, pelo menos, Evan se mostra bastante resoluto:

Acho que há formas de se fazer isso que sejam respeitosas com a experiência e a privacidade do usuário.

Pelo o teste feito com a BMW, que inseriu sua marca como patrocinadora do conteúdo e vídeos relacionados aos artigos ao final dele, é possível notar que as intervenções propostas pela plataforma são pouco invasivas.

MAIS QUE PUBLICIDADE

Ao mesmo tempo, Evan conta que não pretende se limitar à publicidade e que vê potencial no acesso premium ou na inscrição paga de leitores. Ao ser questionado se ele se refere a um modelo paywall (formato adotado por portais que cobram pela leitura de notícias), a resposta é “sim, um tipo de paywall ou filiação“.

QUAL É O SEGREDO, ENTÃO?

Recapitulando: O Medium vai permitir a presença de marcas no conteúdo (de forma pouco invasiva). É algo que alguns poucos veículos de mídia tradicional já têm conseguido oferecer também. O Medium também vai adotar algum tipo de assinatura paga por conteúdo premium – como alguns websites também já adotam. Por fim, o Medium não parece ter um formato definido no qual pretende apostar para permitir a monetização do seu conteúdo. Os veículos tradicionais menos ainda.

Afinal, o que coloca o Medium à frente de outras plataformas de conteúdo e veículos de mídia, então?

A resposta, aparentemente, está justamente nas raízes dessa insegurança que pauta as atitudes do Medium e da mídia tradicional.

Veículos de mídia não sabem ao certo o melhor modelo a ser adotado porque temem perder dinheiro, a incapacidade do mercado comprador de interpretar novas propostas de investimento e de se beneficiar com elas, além da sua própria incapacidade de sustentar sua estrutura complexa de colaboradores.

Já o Medium também reluta, mas por razão diferente: teme o comprometimento do user experience. O foco da decisão não está no mercado comprador ou na sua estrutura, mas no usuário. O dinheiro veio antes – e veio justamente em razão dessa primazia com o leitor.

As dúvidas que giram em torno das decisões do Medium podem ser as mesmas que caem sobre grupos de mídia tradicionais. O site, no entanto, tem mais chances de acertar a mão nas decisões sobre a monetização de conteúdo por compreender, desde sua fundação em 2012, que qualquer decisão é tomada em favor do leitor – não de um patrocinador, um investidor ou um fundador.

Comente aqui

Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP