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Jornalismo político ou publicidade escancarada?

Política, como se sabe, não se restringe apenas àquela que representa certa parcela de seus votantes eleitores. Ela também segue à margem do poder eleito e, muitas vezes, carrega em si valores mais democráticos ou, em alguns casos, menos nobres.

Primeiro, a popularização da internet proporcionou o começo de certa mudança. Com as criações de blogs, pessoas que antes não eram formadores de opinião, passaram a ter um pouco desse poder. Mas foi com o advento e a forte disseminação das redes sociais, que a coisa ganhou uma figura um tanto quanto paradoxal.

 

Se por um lado a internet democratiza muito mais a comunicação, por outro, também abre brecha para que o lado mais sombrio dessa comunicação possa crescer. Lado que obviamente, também existe na comunicação oficial de verdadeiros sítios embusteiros. Sabemos que existem revistas de grande porte como a Veja, que hoje, só tem credibilidade dentro de uma parcela odiosa e paranóica de nossa população. Não à toa, a Editora Abril vai mal das pernas. Mas na comunicação oficial, ainda assim, esses veículos devem contas à justiça por, por exemplo, implantação de notícias sem fonte crível. Mesmo sendo recorrente no veículo citado acima.

O problema em relação às mentiras veiculadas em certos veículos da internet, é saber a quem recorrer, especificamente. A legislação que trata da internet no Brasil ainda é algo não muito claro. E na internet, muitas vezes o nível de obscanturismo é muito grande. Temos exemplos para as duas faces da moeda ideológica mais atuante (infelizmente) digitalmente hoje, no Brasil: pró-governistas que beiram o ufanismo e a oposição de tudo (que sabemos não ser), cujo mantra de vida é o ódio irracional.

Se pelo lado do governismo sem autocrítica, temos veículos como o Brasil 247 (2 + 4 + 7 = 13) e o Portal Metrópole (não recomendo lerem como portais 100% sérios), pelo lado da oposição “apartidariamente partidária”, a coisa desce ainda mais de nível, destacando-se a Revoltados Online e a Folha Política.

O nível de absurdo de um veículo como o Revoltados Online é tão grande, que eles chegam a veicular, a todo o momento, notícias escancaradamente falsas, sem, sequer, sofrerem algum tipo de punição. Mas claro, que do outro lado da tela do computador há dois casos: uma parcela de gente ingênua, que de fato acredita no que está escrito ali, e outra parcela de gente que age com mau caratismo, mesmo, porque sabe ser mentira e veicula a notícia. Dizem que vale, para atingir um objetivo maior. O engraçado, ou não, é que esses costumam ser os mesmos que reclamam de corrupção e desonestidade dos políticos.

George Orwell, escritor de clássicos como 1984 e a Revolução dos Bichos, tendo sido jornalista, bradou:

“Jornalismo é escrever tudo aquilo que não querem que se escreva. Todo o resto é publicidade.”

Concordo, mas o conteúdo escrito deve no mínimo ser verdadeiro. Porque senão, ainda sim será meramente publicidade para a sua causa própria.

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