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Globo e o Facebook

Um mês atrás saiu a notícia “bombástica” para os profissionais de marketing digital que a Globo estaria retirando os links de postagens de algumas páginas da empresa, basicamente as plataformas de notícias. Em um primeiro momento o argumento foi (matéria completa no site da Meio & Mensagem):

“Segundo informações, após um estudo e uma análise detalhada foi detectado que os perfis no Facebook são o principal motivo pela queda de audiência das plataformas digitais da Globo, como a Globo.com, o G1 e os sites das revistas da Editora Globo. O estudo apontou que os internautas estão utilizando o Facebook como um RSS de notícias, ou seja, os usuários leem a chamada, mas não clicam no link. Com isso, a expectativa é de que a medida volte a gerar tráfego direto para os portais…”

Quando li essa informação pensei “As pessoas vão passar a acessar o site somente porque retiraram o link? Se elas já não entravam com o link presente, irão ter mais um trabalho para isso? Junto com essa medida o conteúdo será escrito de uma forma mais atrativa para levar o leitor ao site?”. Obviamente as respostas não tenho e fico só com dúvidas. A minha hipótese é que quanto mais facilitado o acesso a informação, melhor. Talvez o cara que está ali utilizando o Facebook e seguindo uma dessas páginas tem esse perfil de consumir aos poucos e só entrar em um site fora quando algo realmente chamar a atenção. Se isso for verdade, a Globo deveria primeiro pensar em maneiras de chamar mais a atenção.

Um mês após a primeira reportagem sai outra na Meio & Mensagem com uma explicação do CEO do Globo.com explicando a decisão.  Segundo o mesmo a decisão editoria e comercial não foi tão difícil pois o Facebook não é importante na distribuição da Globo. Representa, em média, 2% e em alguns produtos 1%. Ele continua dizendo que muitas vezes as ações não tinham resultados satisfatórios. Também relaciona a decisão com o fato de que nem todos os “curtidores” recebem as postagens. Apesar de ser um percentual “pequeno” de pessoas impactadas, quanto melhor o conteúdo e mais pessoas interagindo, mais aumenta o número dos fãs que são impactados. Mais uma vez é um trabalho de gestão de conteúdo, de oferecer algo muito relevante para o público ao ponto de criar um engajamento que beneficie a distribuição.

Pra terminar o CEO trata do lado comercial. Afirma que os concorrentes podem impactar o público da rede Globo através das seguimentações da ferramenta de anúncios da rede social. Pra ser mais exato (matéria completa no site da Meio & Mensagem):

“Aquilo que construímos com cuidado e mantemos protegido torna-se público. Mais ainda: uma empresa que não fez uma fanpage, não construiu uma base grande de fãs, pode entrar lá e mandar uma publicidade para o meu público”.

Quer dizer que o público específico da Globo não é atingido fora do Facebook? É secreto? Eles são tão poderosos que confiam que seu público já não está dividindo sua atenção entre tantas formas de entretenimento? Recebendo mensagens publicitárias de concorrentes da Globo e de seus anunciantes o tempo todo? Isso é se apegar a um detalhe que no fim não leva em conta o usuário. A Globo só pensa nela e esquece que nas mídias sociais as marcas devem é facilitar a vida de quem eles querem atingir e não dificultar. Eles tem que fazer de tudo para que exista uma conversa e não limitar as informações com a esperança que aquele usuário irá sair do Facebook e acessar as notícias em outro local.

Pra terminar vou escrever o que comentei com um amigo meu: “o CEO não teria que se explicar. Parece que está tentando convencer os outros de que fez o certo… na verdade acho que a Globo que ta precisando se convencer disso.”.

E vocês o que acham dessas novas declarações sobre o assunto?

 

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2 comentários em “Globo e o Facebook

  1. Meu, na boa? Não sei o que é pior: a globo ou esse seu texto. Foi só você que não entendeu que esse movimento da globo chama-se “estratégia de mercado”? Esse papo de foco no cliente, 4 C´s, etc, é tudo conversa fiada. Grandes corporações como a Globo fazem o que querem dos seus produtos e serviços e os clientes ainda continuam consumindo. O próprio facebook, o próprio google, alteram o design e a forma de interação das suas ferramentas, descontinuam serviços, alteram nomes, mudam a forma com que você exibe o conteúdo que você mesmo postou lá, e o povão continua utilizando a ferramenta, e o pior, dando graças a Deus e agradecendo ao facebook e ao google por terem “melhorado” o serviço. E você me vem com essa crítica barata justificando que qualquer empresa tem que facilitar o acesso do usuário ‘as informações??? Meu, em que mundo você vive?

    1. Henrique, tudo bem? Sim, é claro que é uma decisão estratégica da Globo e eu não esperaria nada menos do que isso de uma empresa do tamanho deles. Agora se é uma boa estratégia tenho muitas dúvidas pelo fato de terem dois motivos distintos para justificar a ação. A questão toda é que uma empresa de JORNALISMO que tem como atividade informar dificulta o acesso a ela retirando um atalho para que usuários diretamente leiam o que os interessa. É o mesmo que de uma hora pra outra algum serviço resolva retirar da suas páginas de login o acesso via Facebook/Twitter/Google+ como existe hoje. Obrigar o usuário a preencher todo um cadastro. O valor percebido pelo cliente de diferentes perfis muda e se existem e fazem sucesso esse login social, é porque as pessoas querem conveniência.

      É óbvio que o povo não irá deixar de consumir os produtos da Globo, até porque é uma organização que vai além da sua presença digital. Isso não significa que todas decisões que tomam são as corretas e quem conhece a história da empresa sabe muito bem disso. Tem um fato que tu não considerou ao falar das mudanças do Google, Facebook e de tantos outros sites quando alteram a maneira da interação com os usuários. Por incrível que pareça, muitas delas, é pra melhorar a experiência de uso. É focada no cliente sim (mudanças baseadas em comportamento existente). Eu uso o Facebook desde o início de 2007 e a experiência de uso hoje é infinitamente melhor. Algumas outras tem um objetivo claro de auxiliar essas empresas comercialmente (basta ver alterações que beneficiam a publicidade online) mas tantas outras são baseadas no comportamento dos usuários, ou seja, nos clientes.

      Acho que tu não entendeu o ponto de facilitar a informação. A presença nas redes sociais é melhor aproveitada quando gera uma “conversa”, auxilia a tomada de qualquer atitude que seja em relação a postagem, permite os usuários compartilharem com seus amigos/seguidores as informações. As marcas que entregam isso com qualidade e com pensamento estratégico do que irão postar, vão marcando sua presença constante na “mente” do consumidor. É uma característica desse meio. Pra que dificultar a vida fazendo o usuário ter que abrir outra janela/aba, digitar a URL, entrar no portal, procurar a matéria e clicar no link dela para ler? Não acha que se a mudança for porque as pessoas só liam o “resumo” ou porque poucas eram impactadas no seu feed, essa atitude da Globo não iria alterar isso? Bom, mas vamos ver o que essa história irá nos ensinar! Abraço e obrigado pelo comentário!

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