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balde de gelo

Falta alguém para entrar na onda do balde de gelo?

Um parágrafo de reflexão antes do texto:

A essa altura do campeonato, você já deve estar sentindo saudades do tempo do desafio do balde de gelo. #Icebucketchallenge is soooo last week! A campanha dispensa apresentações – e já saturou antes mesmo de que você terminasse de dizer “What the fuck?!” ou “Que m*rda é essa?!“. Mas como toda moda que repercute mundialmente, essa também terá seus efeitos-colaterais e participantes insistentes. Você ainda vai ouvir falar bastante em balde de gelo. Aceita que dói menos.

Agora sim, vamos ao texto:

Na última semana bombou pela web a campanha para levantar verba para o tratamento da ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). A “brincadeira séria” que consistia em desafiar seus amigos a doar ou a levar um balde de gelo na cabeça se alastrou como labareda – embora, no Brasil, a ação tenha arrecadado aproximadamente R$ 20 mil, um valor bem inferior aos US$ 15,6 milhões arrecadados nos Estados Unidos. O case rende uma aula inteira sobre engajamento, social media marketing, exposição de imagem, auto-promoção, ética, marketing do terceiro-setor… Mas gostaria de ressaltar aqui apenas o ponto de vista da produção publicitária.

Algumas marcas no Brasil entraram na onda do #icebucketchallenge via Facebook. Uma das primeiras a explorar comercialmente a moda foi a Ana Maria, que produziu e postou uma imagem do seu bolinho participando do desafio. Ficou simpático:

ana mariaA marca desafiou o Ponto Frio, que por sua vez desafiou o McDonald’s. Sony também entrou na dança e postou sua imagem. Confira a sequência:

ponto friomcdonalds

sony

Peraí, filmadora?

Sim, é aqui que eu gostaria de chegar. A ideia das marcas entrarem no desafio é bacana. E certamente elas se esforçaram para algo produzido assim do dia para a noite. Mas na primeira vez em que comentei sobre essa sequência de postagens, a resposta automática que ouvi foi: “Poxa, mas a Sony poderia ter divulgado o smartphone Xperia Z2 na imagem! Não a câmera!”. E minha reação foi a concordância no ato, claro.

A Sony investiu um caminhão de dinheiro no novo modelo de smartphone e na campanha de lançamento dele – veiculada à exaustão aqui no Brasil, com direito a Slave to the Rhythm, de Michael Jackson, na trilha sonora:

“Detalhes fazem toda a diferença”, ressalta a campanha. E um dos detalhes destacados não apenas neste vídeo mas em toda comunicação do smartphone é o fato dele ser a prova d’água. Ora bolas! Se este é um dos diferenciais, porque não explorar com a campanha do balde de gelo? Tem oportunidade melhor?

Fui atrás de informações sobre a filmadora da imagem postada. Aparentemente é uma Sony Action Cam. O produto é bacana, tem bom desempenho, pode ser acoplado a uma capa a prova d’água (rá!) e pode até demandar esforços de comunicação frequentes da Sony (não consigo pensar em outra justificativa para ele ter sido o produto escolhido para a ação). Mas, no mercado competitivo de Smartphones, postar uma versão do celular na campanha (no lugar da câmera ou ALÉM da câmera) não teria sido uma ótima alternativa? Talvez até mais rentável, já que se compra muito mais celular do que filmadoras?

Fato é que, como diz a campanha, detalhes fazem toda a diferença. E agilidade é um desses detalhes. A Samsung do Reino Unido saiu na frente e colocou seu Galaxy S5 para tomar um banho de gelo, desafiando ainda o Iphone 5S, o HTC One M8 e o Lumia 930 a fazerem o mesmo:

Se a Sony trouxer o Xperia Z2 para a campanha durante os próximos dias, pode até ser que fique interessante. Mas  precisará ser épico. Porque se for pra produzir coisa básica só para estar na campanha, a Samsung saiu na frente, já não será muito novidade mais. E se for pra se destacar produzindo algo épico…

… que tente superar isto:

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP