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Facebook: agora você controla o que aparece no seu newsfeed

Na última quinta-feira, 9 de julho, o Facebook anunciou na sua página Newsroom o novo feature que permite a customização dos posts que aparecem no topo do newsfeed do usuário. A ferramenta já está disponível na versão do app para iOS e será lançada durante as próximas semanas nas versões para Android e desktop.

De acordo com o anúncio, a partir de agora é possível que os usuários “favoritem” determinados amigos. Desta forma, os posts feitos por estes favoritos desde sua última visita ao Facebook serão exibidos no topo do newsfeed, identificados por uma estrela. Abaixo destes, então, é que serão exibidos os posts selecionados pelo algoritmo que analisa seu perfil de relacionamento com outros usuários e consumo de conteúdo da rede social.

 

Desta forma, o Facebook parece ceder uma parcela do controle sobre o conteúdo exibido ao usuário. E nada mais é do que uma parcela mesmo, uma vez que o resto do newsfeed ainda dependerá do algoritmo, e que essa regra – como tantas outras implementadas por Mark Zukerberg – pode cair quando no futuro se assim for conveniente. Mesmo assim, há quem considere a mudança um passo adiante na busca pela compreensão (e libertação) do mítico algoritmo do Facebook.

Entretanto, há uma pegadinha mercadológica nessa mudança. Uma manobra. É que da mesma forma que será possível determinar quais amigos terão conteúdo exibido no topo do seu newsfeed, também será possível selecionar as páginas – e marcas – que merecem esse espaço. E óbvio: marcas poderão sugerir a usuários que favoritem seu conteúdo. Nada me tira da cabeça, portanto, que elas poderão pagar para fazer essa sugestão. E bingo – eis mais uma fonte de renda para a rede social.

É natural que a ferramenta funcione bem para algumas marcas – especialmente aquelas cujas estratégias de storytelling e transmissão de valores por meio de histórias estejam bem consolidadas. As pessoas terão a oportunidade de acompanhar mais de perto o que se produz nas páginas corporativas e isso exige que os conteudistas elevem o padrão de qualidade do seu material. Mas imagine, por exemplo, que você siga um veículo de comunicação – como O Globo ou a Folha de São Paulo – e resolve favoritá-lo. Se em quatro horas que você passe sem acessar a rede o seu newsfeed reunir todos os posts de uma página como que posta notícias a todo instante como estas, ou mesmo que ele faça uma seleção parcial do que foi postado… você ainda será surpreendido com uma tela abarrotada de posts quando voltar à rede – sejam eles relevantes ou não. Não seria uma experiência das mais agradáveis.

É claro que é possível encontrar meios de amenizar um problema como este. Mas esta solução será sempre uma “exceção à nova regra”. Algo como “o espaço premium do seu newsfeed exibirá até no máximo X posts de um perfil favorito”. E é de exceção em exceção que o Facebook consegue – e sempre conseguirá – continuar controlando tudo aquilo que é exibido a você em sua timeline. Numa rede que domina a comunicação de muitas marcas mundo afora, tal poder é revertido em dinheiro facilmente. Resta saber se para as empresas ele vai representar uma oportunidade ou mais uma dor de cabeça.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP