Skip to main content
racing

Existem gols que excedem os caracteres: ação do Racing Club da Argentina

Primeiro um pouco de história do futebol argentino. No ano de 1967 o Racing Club de Avellaneda foi campeão mundial ao derrotar o Celtic da Escócia. Até então nenhuma outra equipe nacional havia conquistado isso, nem mesmo a seleção do país que no ano anterior havia sido desclassificada na Copa da Inglaterra. Foi um feito e tanto para o clube que era conhecido como “El equipo de José”. O Racing Club então é o primeiro campeão do mundo argentino! Pra terem uma ideia da importância, quando os jogadores chegaram em Buenos Aires (o jogo de desempate foi no Uruguai, após derrota na Escócia e vitória na Argentina) havia uma multidão de torcedores de diferentes clubes argentinos! Imaginem o Flamengo campeão e junto a torcida do Fluminense, Botafogo, Vasco, Santos, Grêmio, Inter, comemorando. Foi mais ou menos isso que ocorreu lá.

Após essa fase vitoriosa (nos anos 50 e 60 o Racing foi muito bem) começou a decadência. Ficaram de 67 até 88 sem conquistar nenhum título (quebrando o jejum contra o Cruzeiro na Supercopa) e só em 2001 foram ser campeões nacionais novamente, 3 anos depois de terem falido e o clube quase fechar as portas. Só continuaram em atividade porque uma empresa passou a gerir o clube e ficou até 2008. Esse é o contexto do Racing, um clube que viveu glórias em um período que a maioria da torcida de hoje nem era nascida e que foi justamente naquele período que conquistaram o seus maiores títulos! A equipe de 1967 é chamada de “La Gloria” e todos os jogadores são idolatrados até hoje.

No dia 4 de novembro completou 45 anos daquele título e o clube quis fazer algo que trouxesse para a realidade um pouco daquela emoção da conquista. As imagens de televisão que se tem são muito ruins. O áudio também não é dos melhores. As fotos não existem em abundância. Como então deixar mais real? Resolveram “cobrir” o jogo novamente através da conta do clube no Twitter. No dia 3 de novembro começaram a postar informações da concentração do clube para o jogo final. Notícias da época eram replicadas como se fossem de agora. Criaram um perfil do jogador “Chango” Cárdenas (autor do gol do título) e interagiam com os torcedores. No horário do jogo na época, começaram a postar os lances, minuto a minuto, como se pode fazer hoje nos sites de notícias de esportes.

Utilizando o Twitter, reviveram aquela tarde de 4 de novembro de 1967, com os torcedores do Racing. Após o “fim da partida”, postavam notícias sobre os jogadores festejando, sobre o presidente do clube chegando com a taça no vestiário, enfim, foi muito real. Um detalhe que dava mais realidade, é que durante a “partida” postavam os anunciantes da época como acontece nas rádios durante as transmissões. Achei sensacional. Logo que acabou tudo eles anunciam uma edição limitada da réplica da camiseta da final com o número do jogador que fez o gol. Foi tudo bem planejado e bem executado.


Aqui no Brasil sei que a Olympikus fez pro Flamengo (criação da DM9Sul) algo semelhante transmitindo o jogo na rádio para celebrar os 30 anos do título mundial na partida contra o Liverpool em Tokyo. O mais legal seria unir essas duas ações: a transmissão, o Twitter, talvez o Facebook, e utilizar de todas essas ferramentas para envolver o torcedor que é impactado diretamente no seu emocional quando relembra velhas conquistas. Uma bela maneira de se conectar e se aproximar dessas pessoas que fazem os clubes serem o que são. Já diria Eduardo Galeano: “Jogar sem torcida é como dançar sem música”.

Comente aqui

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *