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reclamar

Eu também vou reclamar!

“A gente quer ter voz ativa”, diz uma frase da música Roda Viva. Na música Smells Like Teen Spirit, Kurt Cobain grita “here we are now, entertain us”. O Raulzito tem a clássica “Eu também vou reclamar”. Chegamos nos tempos atuais, alguns anos atrás, e a frase “Vou xingar muito no Twitter” se tornou uma piada, mas não deixa de ser uma verdade. Acredito que nos tornamos reclamões.

A internet permitiu que nossa voz fosse ouvida por mais gente ao mesmo tempo. As liberdades civis de expormos nossas ideias é um privilégio que nossos pais e avós não tiveram. Um período sem grandes crises mundiais que realmente afetem os jovens (como guerras e ditaduras), nos dá uma tranquilidade maior de nos preocuparmos as vezes com coisas triviais. Isso nos tornou mimados, mal acostumados, muitas vezes rebeldes sem causa (como a música do Ultraje À Rigor) e com uma grande inclinação a reclamar.

Eu sou um reclamão. Esse meu post não deixa de ser uma reclamação sobre nossa tendência crescente a reclamar. Foi ver um filme e não gostou? Reclamo pra todo mundo. Fui num restaurante e não gostei da comida ou do atendimento? Reclamo. Li uma matéria no jornal e achei absurdo? Reclamo. O trânsito é ruim? Reclamo. Vi algo na internet e não curti? Reclamo. Um produto que eu comprei não me agradou? Reclamo. Uma loja não me atendeu como rei? Reclamo. Enfim, reclamar se tornou normal. O problema é que nem sempre somos justos nas nossas reclamações.

Acho que temos todo o direito de nos comportar dessa maneira, desde que duas atitudes sejam tomadas ao mesmo tempo: antes de reclamar procurar pensar sobre a situação que nos incomoda (será que o garçom tava com algum problema que eu não sei? será que aquela matéria que eu li está correta ou até mesmo é verdadeira? será que o produto é ruim porque eu comprei sem saber porque eu comprei e daí a famosa dissonância cognitiva bateu na porta? será que a loja que me atendeu mal é assim sempre ou tive azar?) e também pedir desculpas caso fique evidente que fomos injustos.

Essa nossa tendência a reclamar de tudo é um desafio enorme pras marcas. De certa maneira eu acredito que elas se tornaram reféns dos consumidores. Todos temos que ser mimados. Todos sempre queremos ter razão. Todos precisamos de atendimento qualificado todos os dias. Claro que num mundo ideal as pessoas estariam nos seus melhores dias sempre para nos atendermos bem e todos os clientes seriam simpáticos e educados ao se relacionar com o vendedor. Sabemos que não é bem assim. Minha sugestão é começarmos a contar até 10 antes de reclamar e nesse tempo pensar: “será que devo falar algo?”.

Vamos tentar falar mais das coisas boas que nos acontecem e não toda hora somente das que nos deixam irritados e estressados. Eu tenho tentado reclamar menos nas redes sociais (meu ponto fraco ainda é o Grêmio que toda vez que joga me afeta negativamente) e procurado postar as coisas que acho interessantes e que acredito acrescentem mais do que a simples e pura reclamação. Termino aqui então essa minha reclamação.

[youtube

“Mas agora eu também resolvi
Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz
Latino-americano
Que também sabe
Se lamentar”

 

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