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A estética da publicidade no cyberpunk

Uma característica marcante na estética dos ambientes cyberpunk é a grande presença de espaços publicitários. Seja em outdoors animados, como em Blade Runner (1982), ou numa excessiva combinação de cores e estímulos, como em The Zero Theorem (2013), a criação de cenários desse gênero da ficção científica conta bastante com a força e a imagética da publicidade.

Criada nos anos 1980 por um grupo de escritores americanos, a vertente pensa num futuro próximo e distópico, pessimista e dominado por megacorporações. Assim como já naquela época, mas ainda mais hoje, o cyberpunk parece bem menos uma ambientação futurista do que uma reflexão exagerada sobre o presente, uma vez que aborda assuntos como as tecnologias digitais e a relação delas com os seres humanos.

Dentre os fundadores do gênero, estavam dois escritores formados em comunicação social: Bruce Sterling é jornalista e William Gibson é designer. No caso do último, em seu livro Reconhecimento de Padrões (2002), Gibson apresenta uma protagonista consultora de marketing que detesta logos e evita grifes, justamente porque há, no cyberpunk, uma concepção de que, no futuro, as empresas se tornarão onipresentes.

Enquanto cidades na China e no Japão mantêm suas ruas preenchidas de outdoors e luminosos, São Paulo criou em 2007 a chamada Lei Cidade Limpa, que proíbe outdoors na cidade, de modo a reduzir a poluição visual. Contudo, no mês passado começaram as votações por um projeto de lei que cancelará a Cidade Limpa, permitindo assim o retorno de publicidades pagas e legais às ruas da capital. Novas campanhas poderiam ocupar o espaço de pontos de ônibus e relógios, além dos antigos outdoors e também as bancas de jornal, que contarão com um suporte para anúncios.

Com tantos estímulos já proporcionados pelas mídias digitais e dispositivos móveis, será que o retorno (e possível multiplicação) de imagens publicitárias no ambiente urbano causaria uma sobrecarga às pessoas? Confira alguns exemplos de cenários fictícios e reais:

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