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Empreendedorismo criativo: pêssegos de lingerie

O Japão ainda pode carregar a fama de sede mundial das situações e coisas inusitadas para muita gente, mas não tem como negar: a China tem trabalhado muito para roubar esse posto.

Há aproximadamente um mês atrás, o jornal chinês People’s Daily publicou no Twitter a foto de uma caixa de pêssegos estilizados de maneira no mínimo engraçada: vestindo lingerie. A imagem viralizou por todo o mundo e a ideia ganhou reprodução nas mãos de feirantes chineses. Neste sábado, o produto ganhou destaque no Festival Qixi, que celebra o dia dos namorados na China. Yao Xiaoyang é o vendedor de Nanjing responsável pela proposta inovadora divulgada pelo jornal. Uniu-se a um fabricante de lingerie local para criar o produto divulgado e agora pretende patentear os “pêssegos do amor”.

A sacada pode parecer engraçada, mas o vendedor leva o negócio a sério. Yao vende os pêssegos não apenas em sua loja de frutas mas também online e pelo WeChat – sim, caso você ainda não esteja por dentro, o WeChat abriu um espaço de e-commerce para contas verificadas que usam seu serviço na China. Lá, o app se chama Weixin e qualquer empresário com uma conta verificada e que use a plataforma de pagamento do WeChat pode comercializar produtos pelo aplicativo – que até aí, concorria apenas com outros apps de trocas de mensagem, como o Whatsapp.

O que se pode aprender com pêssegos de calcinha?

Este caso ensina algo (ou nos relembra daquilo que a faculdade nos ensinou): um produto é só um produto. Mas quem se debruça sobre ele com uma IDEIA na cabeça pode oferecer também experiência e sentimento. E exemplos de empreendedorismo criativo como este não faltam, mesmo aqui no Brasil.

Em São Paulo, na Zona Leste, conheci há alguns meses o restaurante Condimento. O local, que poderia ser mais um café/restaurante numa cidade que deve ter um café/restaurante a cada quarteirão, consegue se destacar do resto. E como faz isso? Parecendo uma casa de bonecas:

lojapessegos

Mais fotos podem ser conferidas clicando aqui. A cara do lugar pode ser “de menininha”, mas ele não deixa a desejar. Conta com uma variedade tremenda de doces e um menu de pratos de bom gosto. Tudo muito gostoso e bem acabado. O resultado disso eu pude observar na expressão de famílias e casais que vi entrando ou saindo de lá: não se trata apenas de tomar um café ou comer um doce. Mas sim de fazê-lo NESTE lugar, com a louça apropriada, com o papel de parede adequado, com os móveis certos. Não me surpreendeu saber, posteriormente, que a responsável pelo lugar já havia trabalhado com publicidade. Experiências como esta têm seu valor – e não se cobra barato por isso.

Voltando ao caso do Sr. Yao, para concluir a correlação: quem pagaria US$ 84,00 por uma caixa de pêssegos convencional? Pouca gente. Já a caixa com os cinco pêssegos de calcinha do vendedor de frutas custam estes mesmos US$ 84,00. Ou 520 Yuan. E como se não bastasse, a pronúncia de “520” em chinês soa como “eu te amo”. Tem dinheiro que pague esta ideia?

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP