Skip to main content
trade marketing

É a vez do trade marketing (e talvez a sua também)

2014 não foi um ano fácil para o mercado de trabalho no Brasil. Quando se fala em marketing ou comunicação, a crise econômica e a retração nos investimentos se faz presente de maneira ainda mais intensa. Como se sabe, quando se fala em reter gastos, estas são algumas das primeiras áreas a receber cortes no orçamento. O resultado que muitos já conhecem – ou sentem na pele – é uma redução drástica nos postos de trabalho. Em outras palavras: muita gente desempregada sem conseguir recolocação.

Este é o filme a que assistimos durante todo o ano de 2014. Mas, se para alguns o filme foi de terror, para outros o final parece não ser assim tão trágico. Falo dos profissionais do trade marketing. Segundo a pesquisa divulgada no início do mês pela empresa global de recrutamento Page Personnel, especializada em profissionais técnicos e de suporte à gestão, o cargo de analista de trade marketing foi o segundo mais buscado por recrutadores em 2014. A posição ficou atrás apenas do cargo de Analista/Coordenador de Departamento Pessoal.

De acordo com a pesquisa, a busca por analistas de trade marketing no Brasil subiu 30% em 2014 em comparação ao ano anterior. Tal movimento se justifica – veja aqui a ironia – justamente pela recessão na qual as empresas nacionais mergulharam durante o último ano. É que o trade marketing promove ações de incentivo às vendas diretamente nos PDVs e gera resultados a curto e médio prazo nas vendas de produtos/serviços. Sendo assim, é uma das alternativas mais óbvias de investimento para gerar maior volume de vendas em momentos como este.

Confira o resto da lista dos cargos mais buscados por recrutadores em 2014:

  1. Analista e Coordenador de Departamento Pessoal
  2. Analista de Trade Marketing
  3. Desenvolvedor Mobile
  4. Executivo de Vendas Hunter TI
  5. Analista de Big Data
  6. Engenheiro de Processos
  7. Especialista de Logística
  8. Analista de Planejamento Financeiro
  9. Analista Contábil
 

TRANSFORMANDO LIMÃO EM LIMONADA

Se seu caso é o descrito no começo do texto e você procura avidamente a recolocação profissional, trade marketing pode sim ser o caminho. Entretanto, mesmo com a profissão bem cotada nas contratações, desempenhar o papel de analista de trade marketing pode não ser a mais fácil das tarefas. Quando se fala em trade marketing para a venda de produtos em outras redes do varejo então (como supermercados e lojas de departamentos), a coisa se torna ainda mais punk. As políticas de negociação e vendas com revendedores podem ser agressivas – em muitos casos, canibais. Não é um trabalho para os fracos de coração ou de espírito. Se você se encaixa no perfil e quer tentar a sorte na área, aqui vão algumas dicas que devem ser consideradas antes que você tome a iniciativa de ingressar nesse barco:

  • Você pode ser original. Mas acredite: o mercado provavelmente será mais. A não ser que você esteja em uma das empresas com drive na inovação e pioneirismo, que têm suas equipes especializadas em novos negócios e em criatividade, boa parte do seu trabalho será acompanhar a movimentação do mercado. Qualquer passo dos concorrentes devem ser observados e estudados. É muita presunção fechar os olhos para aquilo de bem sucedido que a concorrência promove nos seus pontos de venda. E mesmo que não haja adequação nas ações promovidas “do lado de lá” com o seu perfil de produto ou de PDV, é preciso entender que o que dá certo no trade marketing não são as ações promovidas em si, mas a valor ou experiência que ela gerou no consumidor convertido em resultado de vendas. A mesma ação pode não caber na sua estratégia, mas o mesmo resultado poderá ser obtido por meio de outras iniciativas.
  • Assim como você está dentro hoje, amanhã poderá estar fora. Não dá pra dizer que qualquer profissional de marketing esteja seguro de seu posto de trabalho em qualquer segmento, mas no trade marketing, especialmente, muitas contratações estão atreladas a estratégias pontuais ou a momentos da empresa, como o de crise descrito no início do texto. É natural que se compreenda no trade marketing que projetos têm começo, meio e fim. E ninguém pode afirmar quem fica e quem sai para o próximo projeto – ou, pior, se haverá necessidade ou meios para um novo projeto de trade marketing.
  • Prepare-se para as contas. Todo o trabalho no trade marketing é orientado pelo resultado. São regras, policies de aplicação de ações, cálculos de investimento, cálculos de retorno, cálculos de margens, cálculos de desconto, cálculos de volume incremental, cálculos de estoque… Nada é decidido por acaso, tudo será analisado previamente e, sobretudo, terá seu resultado mensurado. Não há como pensar em trabalhar com trade marketing sem conduzir as ações em função do ROI.
  • Tudo deve ter um porquê. A análise de ROI vai determinar o resultado de cada ação, mas qualquer medida tomada precisa atender a uma necessidade. As escolhas por promoções, praças e pontos de ativação, mix de produtos envolvidos… NADA pode ficar sem um porquê convincente – e isso indica a necessidade de muito estudo prévio, além do conhecimento do produto e do mercado.
  • Encontre soluções eficientes. Um dos papéis essenciais do profissional de trade marketing está em estudar seu consumidor e hábitos de compra para, com base na análise, desempenhar ações que incentivem as vendas. Isso inclui receber e interpretar a demanda de outros departamentos como os de marketing, vendas/comercial e comunicação, mas não necessariamente se reduz a isso. “Não necessariamente” não – não deve se reduzir a isso.
  • Por fim, seja um bom negociador. Trabalhar com trade marketing é também negociar condições com cada ponto de venda, negociar com fornecedores ou equipes de procurement, negociar parcerias de promoção e mídia. Não espere que o mercado esteja aqui pra conspirar a nosso favor. Normalmente somos obrigado a brigar por isso.

Listei aqui apenas alguns dos pontos que acredito serem relevantes. Em tempos de crise, não tem como deixar de lado uma estatística como esta que aponta para um “filão” no mercado de trabalho. Mas fique esperto: há uma razão para a oportunidade existir. O trabalho exige muita responsabilidade, perfil analítico, postura pró-ativa e política. Quem não se encaixa nestas características possivelmente pode “patinar” ao cair em um departamento de trade marketing. Mas se você se identifica com a descrição feita e tem vontade de trabalhar na área, por que não tentar? Ao que parece, gente contratando não falta.

Comente aqui

Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP