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Do Masterchef ao ENEM

Todos conhecem o Masterchef, não? Muitos devem ter dado altas risadas com a “cebora” da amada Jiang ou mesmo devem ter torcido muito pelo Raul e alguns ainda devem ter chorado de alegria com a vitória da Izabel. E claro, todos devem ter notado o quanto o programa fez sucesso no Brasil e como isso deixa a emissora bem feliz. Felicidade essa responsável pelo Masterchef Júnior que estreou no dia 20 como resposta ao sucesso de adesão do público brasileiro.

Não ocorreu diferente do programa anterior, a versão júnior do reality de culinária atraiu muita atenção e certamente conquistou consideráveis pontos de audiência. Ainda a marcante participação online do público se manteve e também chamou bastante atenção. Mas desta vez por motivos diferentes.

masterchef junior

Durante a terça feira de estreia do programa e por toda a semana, foi possível ver os comentários pedófilos que alguns internautas tiveram a infelicidade de tecer em seus perfis nas redes sociais. Isso não é bem novidade, sabemos. Mas vale lembrar toda a repercussão do assunto que ainda está acontecendo. Porém vale ainda mais lembrar isso junto do que aconteceu neste domingo: a redação do ENEM.

 

Sim, pois mesmo sendo o exame um grande acontecimento na rotina do país, este ano o tema de redação parece ter recebido maior destaque do que todo o exame em si. Como visto, a prova de redação tinha por objetivo discutir a situação da violência contra a mulher na sociedade brasileira e o fato de isso ainda persistir em nossa cultura.

O que isso tem a ver com o programa de culinária, não é? Pois bem, na terça vimos uma garota de 12 anos ser alvo de comentários que nem valem ser mencionados. Vimos sua imagem sendo exposta e ainda o quanto os internautas responsáveis sequer tinham algum questionamento ou dúvida relevante sobre aquilo que comunicavam na rede sobre a garota. Isso mesmo, como se aquilo fosse bem normal e fácil de passar em branco. Como um comentário despretensioso ou uma brincadeira entre amigos.

enem

Porém no domingo vimos outras coisas em questão. A violência contra a mulher é um fato, óbvio e infeliz, em nosso país. Isso foi posto em discussão nesta edição do ENEM. E isso também atraiu inúmeros comentários, desde a doutrinação ideológica da prova até as possíveis posturas machistas em algumas redações. Tudo isso, claro, rendeu uma onda de comentários dos mais diversos ou não. Mas muitos carregados da mesma despretensão ou humor entre amigos dos comentários infelizes sobre o Masterchef.

O que uma redação que discute a violência tem em comum com comentários despretensiosos na Internet? Ambas a situações envolvem as mulheres, despertam e devem incitar o questionamento e ainda tratam da mesma postura violenta e agressora que alguns de nós tomamos ou são expostos em algum momento da vida.

Creio que a grande proximidade destes dois acontecimentos da última semana é que nos fazem pensar. Por que ainda há tudo isso na sociedade? Como eu estou inserido nisso? Como entendo isso e o que faço para entender? Talvez essa seja a mais basilar iniciativa, questionar tudo isso que vemos e que nos choca. Caso contrário nosso choque vai ser apenas comentário, redação ou mesmo assunto da semana sem mudar muita coisa naquilo que a gente quer ver.

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