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deadline

Deadline: questão de vida ou morte.

O briefing chegou na mesa com o prazo mais que apertado. De hoje pra hoje. E a palavra “urgente” em caixa alta, destacada com marca-texto.

A Criação olhou pro Tráfego sem acreditar e tratou de colocar o pedido no final da fila dos “jobs urgentes de hoje pra hoje” que aguardavam sua vez na mesa. Mas o Tráfego já foi logo explicando que esse era diferente: era realmente um job de vida ou morte para o cliente. A vida do anunciante dependia daquela campanha. O deadline* era inquestionável!

A Criação se entreolhou, sem entender bem se aquilo se tratava de uma piada de mau gosto ou de mais uma desculpa do Atendimento para satisfazer seu sadismo.

As duas hipóteses, porém, começaram a desaparecer quando surgiu a figura do Atendimento, nitidamente aflita, seguida do Planejamento e da Mídia. Todos marchando em fila rumo à sala de reunião.

A dupla de criação também foi convocada para se juntar ao grupo destacado exclusivamente para atender a essa demanda vital.

Ali, de portas fechadas, todos compreenderam a gravidade da situação. O diretor de marketing do cliente havia infartado pela manhã durante uma reunião com sua equipe. Ele havia descoberto que o share of mind da empresa caíra pelo quarto mês consecutivo.

Levado às pressas para o hospital, recebeu os primeiros socorros, mas ainda corria risco de morte.

Após uma avaliação criteriosa, o diagnóstico foi bem claro: era preciso uma campanha completa e eficiente de reposicionamento para a marca. Só isso o salvaria, uma vez que, tantos anos envolvido com a empresa, era como se o paciente acabasse somatizando a alma do negócio.

Agora todos estavam correndo contra o tempo. A equipe, devidamente brifada** e trancada, passou horas a fio pensando em soluções. Incomunicável. Apenas pizzas entravam.

Na manhã seguinte, campanha pronta: leiautada*** e desmembrada. Logo cedo, os criativos foram apresentar pessoalmente ao cliente. Chegaram ao hospital e foram direto à UTI, onde os aguardava o diretor de marketing junto com toda a equipe médica responsável. Apesar da tensão, tudo transcorreu bem. O único susto foi quando apresentaram os custos de mídia. Houve um princípio de segundo infarto logo contornado.

Ao final, o cliente aparentava já estar bem melhor: animado e falante. Pediu apenas para aumentarem o logo e trocarem a cor de fundo. E, segundo os aparelhos ligados ao paciente, a campanha estava aprovada.

Entre apertos de mão e abraços, mal podiam acreditar. O procedimento fora um sucesso.

Ainda faltava uma resposta oficial de exames mais completos que só saíram quando eles já estavam de volta à agência, contando e recontando o ocorrido. Mas só serviram para confirmar o que todos já sabiam.

Quem diria que a publicidade salvaria alguém fora de um videocase?

E foi no meio dessa comoção toda que alguém os lembrou: era bom se atentarem aos prazos dos outros jobs. Eles continuavam correndo.

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