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Lollapalooza

Como o Lollapalooza se superou fora dos palcos

No último fim de semana, São Paulo sediou mais uma edição do Lollapalooza – atualmente um dos maiores festivais de música do país. Sim, atualmente, porque festivais vêm e vão. Projetos como TIM Festival, Claro que é Rock, Nokia Trends e o saudoso Free Jazz Festival já fazem parte do museu de eventos musicais no Brasil. Mas no que diz respeito ao Lollapalooza, é bem provável que o projeto demore um bocado ainda a nos deixar. Pelo menos no que depender de patrocínios e ações de ativação e conteúdo promovidas.

Se por um lado o line-up do festival em 2015 pode ter dado indícios de que ele assumiu um perfil mais alternativo, por outro lado ficou bastante nítida a evolução das ações de ativação do evento. Quem esteve presente nas duas edições realizadas no autódromo de interlagos (2014 e 2015) pôde conferir que o espaço foi melhor aproveitado neste ano e, principalmente, que em 2015 havia mais a se ver e fazer além de assistir aos shows do que em 2014.

O festival contou com o patrocínio de Skol, Chevrolet/Onix, Axe e Sempre Livre. Teve, ainda, apoios de Pepsi, Fusion Energy Drink, Correios, C&A e Ray Ban. Todos marcaram presença com ações de ativação que ocupariam bastante mesmo que não estivesse ali para ver show algum. Alguns dos destaques:

Onix Ride

A montanha russa da Chevrolet fez fila. Os carrinhos personalizados elevavam o público a 12 metros de altura por um elevador e desciam em espiral, seguindo para um curto trajeto de descidas e subidas. Deu medo? Não. Garantiu uma vista inusitada e bacana do festival? Certamente. A montanha era vista de boa parte da área do festival (e trata-se de uma área enorme) e chamou a atenção dos presentes. Além desta ação, a montadora montou um espaço com estúdios de maquiagem e tattoos feitas na hora.

Lollapalooza

Live Karaoke

Pra quem sonhava em cantar em banda (quem nunca?), a Pepsi deu o gosto da fama. Numa enorme “lata karaokê”, a ação que trazia o lema “pode ser épico” do refrigerante dava aos participantes a chance de cantar ao vivo acompanhado de uma banda. Nos intervalos entre apresentações, o espaço tinha um set de músicas e virava pista de dança. Para quem foi ao festival para assistir ao show cancelado de Marina & The Diamonds, esse pode ter sido o momento mais próximo do que teria sido a apresentação:

Teve Marina, sim!

A video posted by Ricardo Rocha (@cado_rocha) on

 

Speak The Truth

Quem caminhava pelo autódromo vira e mexe via alguém usando as camisetas “speak the truth” da Ray Ban, com grandes verdades estampadas. As camisetas eram uma ação de ativação da marca de óculos, feitas na hora. Uma investida que deu certo: a um custo certamente muito inferior ao investido ela Chevrolet ou Pepsi, as camisetas caíram no gosto e chamaram atenção.

Nunca deu certo, juro. #SpeaktheTruth #RayBan #Campaign4Change #Lollapalooza2015 #confession

A photo posted by Germano Bernardes (@germanbernardes) on

 

Mais sobre as ações dos patrocinadores e apoiadores pode ser visto neste vídeo que o Meio & Mensagem publicou recentemente:

Não foi só a ativação de patrocinadores que melhorou. A própria estrutura do festival parece ter dado um upgrade. Neste ano, grandes tendas com puffs infláveis desconfortáveis deram espaço a tendas menores, mais bem distribuídas. Saíram alguns puffs, entraram redes de tecido. REDES! Porque não haviam pensaram nisso antes?

Além disso, o Lollapalooza montou o simpático Lolla Market, uma seção repleta de tendas especiais que ofereciam os mais variados tipos de serviço como alimentação, lojas de roupas e acessórios, capas de celulares exclusivas, massagem e até leitura da sorte no tarô. É certo que o preço pela maioria desses serviços era abusivo – como em todo festival.

Mas, como todo bom marketeiro sabe, não se trata de vender cachoeiras de itens e serviços dentro do evento. Não. Trata-se de oferecer o brand experience. De mostrar àqueles que pagaram uma fortuna pelos ingressos (porque sim, os festivais no Brasil custam uma fortuna, especialmente se comparados aos preços cobrados em outros países) que o valor não foi necessariamente investido à toa e que aquela é uma experiência memorável, inesquecível. Seja pelos shows, seja pelo karaokê dentro de um festival, seja pela camiseta customizada, seja pela tatuagem feita na ocasião ou, por que não, pela sorte que o tarô mostrou. O Lollapalooza evoluiu seu conceito de festival de um ano para cá. E isso é inegável.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP