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Como ganhar dinheiro com conteúdo sem ads

Dá pra ganhar dinheiro com conteúdo sem publicidade? Essa é a pergunta que muita gente se pega fazendo todos os dias antes de sentar em frente ao computador para escrever, antes de começar a edição daquele vídeo ou de começar a trabalhar no visual daquele infográfico matador. “Estou fazendo isso por caridade, só porque gosto, ou vou realmente conseguir faturar com isso um dia?” Felizmente, a resposta é “sim, dá pra ganhar dinheiro“. Prova disso é a longa lista de bloggers, youtubers, profissionais e empresas que se especializam na produção de conteúdo multimídia e tiram seu sustento disso. Da parte dos vloggers, há exemplos de sucesso lá fora como PewDiePie (US$ 12 milhões ao ano), Lindsey Stirling (US$ 6 milhões ao ano) ou Michelle Phan (US$ 3 milhões ao ano). A gente aqui no Brasil não deixa a desejar também. Estima-se que o Felipe Neto fature US$ 6 mil por mês, que a Kéfera Buchmann chegue aos US$ 18 mil mensais e que o canal Porta dos Fundos fature impressionantes US$ 305 mil por mês.

Não são só vloggers que fazem dinheiro com conteúdo. A crescente onda de consumo de vídeos e blogs culminou no nascimento de produtoras como a Maker Studios, especializada em conteúdo para Youtube, que foi vendida em 2014 para a Walt Disney por  US$ 500 milhões. É um caso semelhante (guardadas as devidas proporções) ao da produtora de vídeos para plataformas digitais 301, que foi vendida recentemente para o grupo ABC. Além de produtoras, empresas dos mais diversificados segmentos também evoluíram suas estratégias de captação e fidelização de clientes por meio do inbound marketing e de práticas que necessariamente passam pela produção do conteúdo. É só dar uma repassada nos projetos das brasileiras Resultado Digitais e Samba Tech, por exemplo, para entender um pouco de como essas estratégias podem colaborar com diferentes tipos de negócio.

No entanto, muita gente se preocupa ainda com as regras de monetização por meio da publicidade em blogs e canais de vídeos. Plataformas como as de mídia do YouTube e do Google Adsense, que representam uma importante fonte de renda, ainda são consideradas como predatórias por muitos dos profissionais da área. O Youtube, por exemplo, assustou produtores mundo afora com o anúncio da sua plataforma paga e sem anúncios, o Youtube Red. Ao cobrar de assinantes, a plataforma se paga pelo acesso e altera o repasse feito a vloggers que faturam com anúncios nos seus canais – e esta é só uma de tantas reviravoltas que quem está neste mercado precisa contornar. A solução encontrada acaba sendo a diversificação de suas fontes de renda com outros formatos.

E QUE FORMATOS SÃO ESSES?

Uma coisa já é dada como certa sobre a produção do conteúdo: qualidade e relevância para o público são e sempre serão os fatores que mais determinam o sucesso ou fracasso de qualquer empreitada de conteúdo. Tanto na monetização por meio de publicidade como nos outros modelos de renda, um produtor de conteúdo precisa colocar à frente de qualquer decisão a qualidade do que faz e a relevância disso para quem ele busca atingir. Qualquer outra ação justificada pela monetização que se sobreponha a estes dois lemas será um erro que colocará sua base de clientes/audiência em cheque a curto ou longo prazo.

Tendo isso em mente, confira agora algumas formas de fazer dinheiro com seu conteúdo que não necessariamente dependam da rentabilidade dos seus pageviews ou clicks. Talvez você não fique milionário como os exemplos citados acima – mas vamos combinar: a gente pode se contentar com bem menos do que aquilo!

PATROCÍNIO

dinheiro me banca

É o modo-dos-sonhos de rentabilização de um projeto de conteúdo. Seu blog, canal ou site pode receber um boost poderoso com o investimento de marcas que se identifiquem com a mensagem que você passa e que acreditem no potencial futuro do seu projeto. É certamente o formato de monetização que mais dá liberdade ao produtor de conteúdo – mas é um dos mais difíceis de se conquistar também. Não há regras que determinem que um projeto precise atingir um volume muito grande de acessos ou inscritos para receber um patrocínio, mas é sim necessário que se apresente um plano com potencial consistente de exposição da marca patrocinadora no projeto e que o investimento feito tenha um bom custo-benefício para o patrocinador. Logo , o projeto que não conquistou uma audiência relevante ainda tem como missão após o patrocínio conquistar. Em suma, a chave do patrocínio está em conhecer os valores que regem a comunicação e a atuação de grandes marcas, além do perfil de investimento dela nesse tipo de iniciativa. E em apostar alto no seu próprio projeto.

STORE

grãos

Já pensou em ter a sua loja? Dependendo do tamanho e, principalmente, da fidelidade da sua base de público, esta é sim uma alternativa interessante. Um bom exemplo de loja que surgiu da produção de conteúdo é a Nerdstore, do projeto bombástico Jovem Nerd, que comercializa itens ligados à cultura geek. Afinal, se o conteudista tem em mãos um público segmentado e ávido por novidades, por que não entregar a ele o que ele busca? Outros sites investem na comercialização de e-books, cursos online, cursos presenciais, palestras e eventos didáticos para o aperfeiçoamento profissional ou pessoal do seu público. Blogueiras de moda também já se arriscam montando estantes virtuais de produtos como acessórios, peças de roupa ou maquiagem para conquistar uma renda alternativa. Lembre-se: você tem controle sobre o público e o canal de acesso. Não necessariamente precisa ter controle sobre a produção do produto quando pode ser o canal adequado de distribuição dele.

LIVROS

livro kefera

Falamos em e-books acima. Mas e quando um conteúdo digital parte para um livro físico, offline? Parece até loucura, não é? Mas a verdade é que as pessoas não se dão por satisfeitas em relacionar-se com marcas, com personalidades e com conteúdos somente por meios digitais. Quando o laço com o público é forte, a experiência pode (e deve) transcender limites e partir inclusive para o offline – e acredite: os livros estão sendo bem explorados nesse sentido. A última Bienal do Livro, realizada no Rio de Janeiro, foi um sucesso de público devido ao investimento feito na faixa etária jovem. O evento trouxe estrelas nacionais e internacionais responsáveis por fenômenos literários teenagers e conquistou êxito em público baseando-se na adoração de jovens ao universo digital. Um dos resultados disso foi o lançamento do primeiro livro da vlogger Pathy dos Reis, sucesso no Youtube, dentro do evento. Gente como Kéfera Buchmann e Danilo Leonardi, jovens e recém apresentados ao mundo, também já se arriscaram como escritores. Não à toa, o livro mais vendido da Bienal deste ano foi “Muito Mais do que Cinco Minutos”, da Kéfera. Conteúdos online podem sim ganhar espaço em mídas offline se houver adequação para isso. E mesmo o mercado editorial, com todas as suas dificuldades enfrentadas nos últimos anos, parece ser um caminho rentável para tornar a estratégia bem sucedida.

ATIVAÇÃO DE CLIENTES

digitação

Se você não for um vlogger ou blogger mas sim uma empresa interessada em explorar conteúdo para vender produtos ou serviços, lembre-se de encarar o conteúdo como uma potente alternativa de atração e retenção de clientes para as suas soluções. Afinal de contas, a venda pró-ativa (e em muitos casos irritante) tem dado lugar a estratégias de venda passiva, em que o consumidor busca o seu produto por relacioná-lo a um determinado tipo de uso ou serviço prestado e por classificá-lo como adequado nesta categoria. O conteúdo entra justamente na estratégia de posicionar-se como uma empresa de valores bem definidos e que valoriza o capital intelectual para conseguir conquistar essa classificação no ranking do consumidor. Trocando em miúdos: hoje em dia talvez seja mais importante você ensinar o consumidor a transitar no mercado em que atua e fazer despertar nele os interesses que ele possivelmente nem identifica ter ainda do que mostrar a ele o que você tem para vender na expectativa dele querer comprar ao mesmo tempo.

CONVERSÃO EM VENDAS

carrinho compras

E por fim, o mais óbvio: se você é uma empresa, precisa entender que as mesmas regras de branded content aplicadas a projetos produzidos para terceiros devem ser aplicadas ao seu produto também. Sendo assim, não economize nos call to actions e opções de conversão em vendas de um produto (ou em mais acessos para o site) no seu conteúdo. Seu texto ou vídeo existem para servir ao seu negócio. Faça com que assim seja.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP