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campus party

Como foi a Campus Party Recife

De fato, prometeram mais de 300 horas de conteúdo disponíveis na 3ª edição da Campus Party Recife. Como sempre, mais gente do que cadeira, mais gente do que ponto de rede, tomada e aquele velho stress de caçar um lugar para se acomodar. Pra variar todos os “staffs” afirmam que há lugar para todos, mas só se for no chão. Uma falha besta da organização do evento foi disponibilizar vários sofás e poltronas nos arredores do espaço montado, mas sem nenhum ponto de rede ou de tomada. Ajudaria bastante.

O conteúdo da #cprecife3

Mas vamos enfim falar do conteúdo. Primeiro dia com conteúdos bons, mas nem todos. Destaque que neste ano muitos talentos locais deram suas caras e começaram a expor projetos, vivências e conteúdo interessantíssimo. No palco Michelangelo, onde nossas atenções se voltam mais, teve uma palestra bem legal (e de certa forma inovadora, pois não me lembro de ninguém da região abordar o tema) sobre leads e retorno de investimento.

campus party emmanoel messias
Foto: Simone Bispo

Nos preocupamos muito com quantidade de likes, de seguidores, compartilhamentos e afins, mas esquecemos muito de oferecer, analisar e mensurar o ROI, as respostas, aquilo que o cliente sempre quer: resultados.

Mais cedo outra palestra falou bem sobre cultura geek, em um debate que levantou bem a questão que “ser nerd não é mais motivo de vergonha” e que a cultura geek é mais popular e interessante do que muitos pensam. O universo dos quadrinhos também figurou pela manhã, com uma palestra muito bem conduzida sobre a produção brasileira deste segmento. Outros assuntos como TV Digital, um tema ávido por novidades e com muito que se discutir, visto que ainda é algo bem recente e ainda não tão acessível; Educação e a influência dos novos “geradores” de conteúdo na mente de jovens e adolescentes que consomem vídeos e sátiras cômicas quase que diariamente; e também uma celebração aos 10 anos do podcast, uma mídia querida por muitos, mas que ainda tem muito espaço para crescer, conquistando novos públicos em uma tendência de mudança de comportamento de consumo de conteúdos de mídia.

A Campus Party Recife foi voltada pro empreendedorismo.

campus party plateia
Foto: Simone Bispo

Este ano, como foco principal da Campus Party Recife, o empreendedorismo é destaque. Palestras, oficinas e até mesmo consultorias são dadas quase que o tempo todo dentro do Centro de Convenções. Destaque para a área “Startups & Makers” na área gratuita da Campus, uma espécie de guia e curadoria para startups.

O segundo dia da Campus.

O segundo dia da Campus Party começou bem com um debate interessante sobre Eleições na Internet. Esse ano a disputa presidencial promete casos interessantes e até mesmo polêmicas que já vem acontecendo envolvendo candidatos e até mesmo personagens de ficção. Foi também o dia da zuera! Tinha o Maurício Cid, do blog Não Salvo, em dose dupla: no Cubo de Conteúdo na área gratuita da CPRecife3 e no Palco Michelangelo, com a maior barulheira em uma edição moderninha daqueles programas de namoro, mas bem ao estilo Não Salvo de ser.

Faltou conteúdo relevante?

campus party palco
Foto: Simone Bispo

De volta aos conteúdos interessantes, ou nem tanto, algumas palestras do Michelangelo mais pareciam jabá, ou algum publieditorial que deixou muito a desejar. Palestrantes perderam uma excelente oportunidade de agregar conteúdo, integrando seus cases de sucessos. O que se viu na verdade foi uma demonstração mal feita de cases locais, sem agregar absolutamente nada. E isso não foi apenas no segundo dia. No sábado, último dia de conteúdo da Campus Party Recife, várias outras palestras soavam desta maneira. Deu a sensação de que faltou gente ou conteúdo relevante para ocupar os horários e convidaram tapas buracos.

Mas calma que a Campus Party Recife 2014 foi sim muito boa. Como o foco da edição local é mais sobre empreendedorismo, as palestras sobre este tema foram incríveis. Consegui assistir a duas que me deixaram com a cabeça mais aberta: um painel sobre empreendedorismo independente da idade (tinha um garoto de 12 anos que já tinha sua própria empresa) e uma sobre conselhos que um anjo pode dar para as startups.

O último dia

Mais cedo, no sábado, o especialista em Design Gráfico, Chico Neto, professor da UFCE, provou que podemos ser sete vezes mais criativos, utilizando a metodologia Scamper, muito aplicada na área de Design Thinking.

Destaque também para 3 palestras incríveis do palco principal: a do Wesley Barbosa, líder de mercado do Facebook, que deixou muita gente com questionamentos sobre pensar fora da caixa na cabeça. Ele provou com exemplos que o ideal seria pensarmos dentro da caixa para poder inovar e não inventar coisas e endossou que o brainstorming é nocivo a muitas empresas. Será mesmo? Já no sábado, o gerente sênior de marketing do Google, Daniel Sieberg, levantou uma velha questão, bem presente nos dias de hoje: a relação do homem com a tecnologia.

A palestra mais incrível, sem sombra de dúvidas (pelo menos em minha humilde opinião), foi a do Dado Schneider, Doutor em Comunicação, que já trabalhou em agências de grande porte mundiais, inclusive como diretor (foi o primeiro executivo da DM9), que possui inúmeros cases de sucesso nas costas. A palestra, que aparentava ser daquelas do tipo motivacional clichê, onde o palestrante manda a plateia fazer piruetas, se mostrou totalmente o contrário, por um simples detalhe: a palestra era muda, em metade de seu tempo.

O mundo muda e a palestra é muda”, esse era o título de uma palestra extremamente sensorial, onde música boa e textos provocativos tomavam conta do Palco Principal da CPRecife3 e deixavam todos focados. Um verdadeiro case de como podemos aproveitar bem a vida e ter foco no trabalho ao mesmo tempo. Provava com embasamento que a geração X possui muita dispersão, mas é capaz de mudar o mundo e já tá mudando como muitos já estão cansados de saber. Com uma simpatia incrível, o Dado Schneider com certeza mudou a vida de muito campusero na tarde do sábado.

Pouco depois das 19h começava a hora mais temida pelos campuseros: o encerramento de mais uma edição. Um concurso de forró provou que a Campus Party não possui roteiro nem mesmo para acabar. Não faltaram as premiações dos vários concursos que ocorriam dentro da Campus e nem o personagem icônico e mascote adotado da Campus Party Recife, o Pica-Pau.

Ficou um gostinho de quero mais, como sempre, deixando todos apreensivos sobre a realização da edição de 2015, ainda incerta devido a vários fatores. Vale lembrar que a Campus Party Recife nasceu como uma edição especial e que poderia não ter outras edições. Graças ao Governo do Estado de Pernambuco e da Prefeitura da Cidade do Recife, 3 edições já ocorreram aqui na Cidade. Nesta edição vários recordes quebrados: 27mil m² de área foram utilizadas, mais que o dobro nas duas primeiras edições e a presença de campuseros de mais de 20 estados do país. Foram cerca de 250 atividades, com mais de 224 palestrantes, totalizando 300 horas de conteúdos, 17 mil metros de cabos de rede e 35 mil metros de cabos de fibra ótica.

E agora fica as saudades da velocidade de 10gb oferecida pela Vivo na Campus. Que venha uma #CPRecife4 em 2015.

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