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Cervejas customizadas: o copo já transbordou?

Lá em meados de 2005, ainda durante meus estudos universitários, um dos professores que lecionava a matéria de Criação pedia um trabalho que contemplasse a concepção de um evento para uma marca voltada ao público jovem. Uma das poucas ressalvas feitas na ocasião para o projeto foi bem objetiva: “só não aceito show patrocinado na praia com Ivete Sangalo ou Cláudia Leitte“. Mensagem dada, mensagem recebida. Ficou para sempre a lição: se todo mundo está fazendo, pode até ser que funcione, mas não vai funcionar por muito tempo e certamente há outro rumo mais criativo e eficiente a ser seguido.

Conto essa história apenas para explicar porque eu imagino que, muito em breve, esse professor substituirá o exemplo de show na praia com Ivete Sangalo ou Cláudia Leitte pela fabricação de uma cerveja artesanal batizada com o nome da marca – ou com um nome que atenda a qualquer objetivo de comunicação dela. As cervejas artesanais customizadas parecem mesmo estar na crista da onda (e na adega de publicitários e marketeiros por aí).

Não ocupam este espaço sem motivo. Segundo a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) são mais de 200 pequenos fabricantes no país, que correspondem ainda a apenas a 0,15% do mercado cervejeiro mas que crescem exponencialmente a cada ano. De acordo com fabricantes e comerciantes do segmento, este número é subestimado e o mercado já conta com em torno de 1.500 marcas artesanais. Estes pequenos fabricantes são responsáveis por boa parte das uniões com marcas que resultaram na fabricação de rótulos customizados. Algumas delas, ainda, adquirem sua fabricação própria. É natural que se incorpore o fenômeno deste segmento às estratégias de comunicação de grandes empresas, quando houver adequação. Mas quem pensa em se aventurar nessa, é melhor se apressar: já tem muita gente “batizando” cerveja – e fazendo isso com maestria.

O canal pornô Sexy Hot, que completa 18 anos em abril de 2015, brinca com a data da forma mais apropriada possível: lança sua própria cerveja em parceria com a cervejaria artesanal Verve.

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A embalagem por si só já é um convite ao primeiro gole. Nem todos, contudo, têm acesso à bebida, que é um brinde comemorativo pelo aniversário do canal e que a princípio não será comercializada. O Sexy Hot marca um gol ao convidar o público alvo da ação a degustar com ele a sua “cerveja da maioridade”.

Mas ao contrário do que alguns imaginam, a ideia não é nova. Aqui no site mesmo, há um ano atrás, escrevi sobre casos de re-branding citando a mais que justa investida do filho de Antônio Carlos Bernardes Gomes (o Mussum, de Os Trapalhões) no mercado de cervejas artesanais ao lançar sua Biritis. A cerveja nascia carregando o carisma (e o gosto pela boa bebida) do personagem construído por seu pai. E não faltam mais exemplos. Em 2012 a agência de design e branding de Porto Alegre Indústria HED já lançava a sua e a varejista sueca Ikea já garantia seu espaço nas próprias prateleiras de bebidas alcoólicas de suas lojas londrinas.

Além do crescimento do mercado de artesanais, as marcas são legitimamente atraídas pelos valores que podem ser transmitidos por estas cervejas, tidas como premium. Não é qualquer um que pode se dar o luxo de comprar ou beber destas marcas com frequência. E é bastante válido que as marcas queiram se aliar a este conceito. O que resta saber, no entanto, é quantas cervejas artesanais customizadas serão necessárias para o mercado começar a ver esta ideia com outros olhos e a achá-la batida? Meu palpite é: não muitas.

 

 

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP