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No Rio, organizações lançam a campanha: “Da Proibição Nasce o Tráfico”

O Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, com apoio da Open Society Foundations, começou no Rio de Janeiro, uma campanha que atenta para o fracasso da política de guerra às drogas, chamado: “Da Proibição Nasce o Tráfico”.

A campanha está sendo veiculada nos ônibus da capital carioca, e conta com cartuns de gente gabaritada como Angeli, Laerte, Arnaldo Branco, André Dahmer e Leonardo.

Não é preciso muito esforço para perceber que sim, que se há algum produto com fortíssima demanda e esse produto passa a ser proibido, um mercado não oficial surgirá para suprir essa demanda.

Nem é preciso ir tão longe. Temos um exemplo mais do que claro na história humana: a Lei Seca imposta nos EUA, durante a depressão econômica norte-americana. Quando o álcool passou a ser proibido, os estadunidenses experimentaram o ápice da violência pelo crime organizado naquele país, com a proliferação em massa das máfias e dos gangsters. Ou da ligação do governo americano com traficantes hondurenhos e nicaraguenses, nos anos de 1980, ao financiar grupos paramilitares com o intuito de derrubar o governo sandinista, na Nicarágua. Isso nunca ficou muito claro até hoje. Sobre isso, assistam o filme “Matem o Mensageiro”, de 2014.

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É preciso entender também a relação entre o Estado, o tráfico, o nosso sistema judiciário e, obviamente, o nosso sistema carcerário. Quem ganha e quem perde com a guerra às drogas? Na extrema margem de nossa sociedade, temos os verdadeiros perdedores: jovens pobres, negros e pardos em sua maioria, pois estatisticamente são os que mais morrem por essa guerra, seja em confronto com a Polícia – essa, muitas vezes com ligação de comércio com o tráfico -, seja executados por essa mesma polícia, ou por facções inimigas.

Se traçarmos um paralelo entre o número de mortes por overdose de determinadas substâncias e o número de mortes, decorrentes da guerra às drogas, perceberemos que há uma lacuna profunda, e que há algo de muito errado nessa guerra, ainda mais, quando gera custos financeiros altíssimos ao próprio Estado.

O debate sobre a efetividade da proibição, ou da liberação e regulação do comércio de drogas por parte do Estado, precisa superar moralismos ideológicos e religiosos, pautando-se de forma racional. Talvez seja esse o grande objetivo da campanha que, se depender da genialidade desse time de cartunistas, há sim chance de obter alguns resultados bem positivos.

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