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Bowie: sobre ser um herói por um dia ou mais

Quando cheguei para a aula e  encontrei meu lugar um amigo me disse “é sério que o David Bowie morreu?”. “Sério, o bowie?” – eu  tive de perguntar… e bem, foi um tanto quanto frustante, impotente ou mesmo triste ouvir quando meu colega confirmou que, sim, David havia morrido.

Confesso que nunca fui, nem sou, muito fã de cantores ou bandas específicos. Mas confesso ainda que muitas músicas têm importância considerável em momentos da vida e seu desenrolar, por assim dizer. Uma dessas é Heroes, do álbum de mesmo nome que foi lançado em 1977 pelo cantor.

À época eu sequer era ninguém, ou mesmo pensava em músicas, artistas, e seus legados. Porém, nesta segunda-feira, foi essa a primeira coisa em que pensei quando soube da morte de Bowie. Lembrei-me da música, e de tudo o que vivi com ela quando precisei e coisas mais, piegas ou não. O fato é que nunca fui um grande fã, nunca fui um admirador assíduo ou mesmo devotado disseminador de tal legado.

Ao mesmo tempo, me surgiram várias publicações acerca do acontecido e dos que se sentiram devastados por ele. Muitos manifestando seus sentimentos e o valor pessoal de David. Outros ainda reclamando destes que o faziam sem ao menos conhecer à finco este mesmo valor. Havia ainda os posts predição, visualizando quantos fãs surgiriam ou quantos se mostrariam neste momento de perda. De alguma forma, estes “fãs de ocasião” parecem não serem valorizados. Uma pena.

Uma pena mesmo, num momento desses nos importarmos mais em julgar o comportamento alheio. Uma pena, termos esta necessidade de classificar tudo e mesmo todos. Uma pena nem sempre acolhermos os vários ‘alguéns’. Que pena que sempre costumamos despejar tudo isso, julgamentos, classificações e regras nos outros. Pior, despejarmos isso até no luto das pessoas.

Ainda assim, tive uma certeza que o próprio Bowie já havia me mostrado ao cantar: que sim, podemos ser heróis, mesmo que por um dia. Podemos sentir e nos importar, mesmo que naquele dia. Podemos ou até devemos, enxergar o valor deste “one day”. E mesmo não conhecendo (ainda) os vários Bowies, pude entender que “we are infinite”.

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