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ATENÇÃO, profissionais de comunicação e marketing: precisamos educar o mercado nesse paradigma digital em que vivemos!

Pensei em algum título menor para esse post mas não teria como explicar a ideia desse texto sem deixá-lo mais longo. Então vamos lá. Talvez alguns leiam isso e achem que é tudo bobagem mas tem algo que me incomoda muito no mercado quando se trata da prestação de serviços do tão conhecido MARKETING DIGITAL. O que me incomoda é a falta de maturidade e até uma falta de vontade dos profissionais em tomar o primeiro passo e dizer: cliente temos que conversar seriamente sobre como as coisas funcionam. Acontece que para se chegar a esse nível, nós profissionais devemos estar em constante estudo e aprendizado, sempre questionando o que acontece e formulando uma visão crítica do nosso próprio trabalho.

Obviamente o constante aprendizado deve ser básico pra qualquer profissional, mas sabemos que não é bem assim que as coisas acontecem. Quantas vezes escutamos ou até mesmo dizemos que “não temos tempo para ler”? Que não temos tempo para fazer cursos? Que não temos tempo para nada além de trabalhar? Acabamos “não tendo tempo” nem para analisar criticamente o nosso próprio trabalho! Isso é muito ruim porque permite que um oceano de pessoas entrem no mercado achando que sabem tudo e daí é quando acontecem os fenômenos dos modismos que uma hora caem por terra e no fim só ficam lá aquelas poucas empresas que realmente fizeram tudo o que eu disse antes: estudaram, aprenderam, questionaram e formularam sua ideias a partir de uma análise crítica.

Resolvi escrever isso porque não da mais pra gente ter que ficar correndo atrás de likes e shares só porque nosso cliente acha que quanto mais melhor. Que é preciso ter 1 milhão de seguidores no Twitter. Que nossa mailing list precisa ter 400 mil pessoas. Que tal mídia social tem tantos milhões de seguidores e por isso é a melhor. E por aí vai. Acontece que existe gente que vende isso como sendo a “grande sacada” do marketing digital e acaba baixando o nível do mercado. Tenho certeza que foi justamente por essa lógica que a NOKIA fez a péssima campanha do “Perdi meu amor na balada”. É por essa lógica que o culto ao “BUZZ” tira o senso crítico da análise de campanha e resultados. Enquanto temos que aprender com os gestores que é importante sim o ROI e a quantidade de dinheiro que vamos fazer a empresa deles ganhar, é importante a gente ensinar que não é qualquer um que vai saber prestar o melhor serviço e entregar essa promessa de ganhos. E como fazemos isso? Mostrando que estamos em constante busca pelo aperfeiçoamento.

Então, nós não temos apenas que sair criando 1 milhão de eventos de “social media”, dando uma de “experts” se apenas vamos replicar o que lemos na ComScore e no Mashable.  Nós temos é que ler muitos livros, artigos, estudar o que está sendo feito no mercado, nos especializar em alguma universidade, fazer cursos, tirar nossas conclusões e formular hipóteses. Temos que funcionar como professores de faculdade que após seu mestrado e doutorado tem cotas de teses e pesquisas (pelo menos na faculdade federal). Não que os eventos não tem validade, claro que tem, mas vejo hoje uma falta de filtro para se organizar ou se vender apresentações desse tipo. O que me parece é que tem muita agência querendo vender seu negócio disfarçando um evento aqui, outro acolá. Aprendemos um com os outros sim, mas as coisas estão ficando saturadas e o foco não deveria ser mostrar apenas pro colega de profissão isso, o foco é mostrar pros clientes isso.

É saber dizer não quando alguém vier com o discurso da ditadura dos likes. É valorizar o trabalho e não dar a entender que qualquer um pode fazer. Esses tempos eu vi uma imagem circulando de uma vaga de emprego onde uma vaga para Mestre de Obras tinha um salário que era o dobro do Analista de TI (mas aqui no caso seria o dobro de um planejador, mídia social, redator, criação…). E porque isso acontece? Porque tu não vê todo mundo dizendo que sabe ser Mestre de Obras. O mercado está educado quanto a isso. Temos que valorizar nosso trabalho e somos hoje alunos e professores ao mesmo tempo. É tudo muito novo nessa área e ninguém sabe todas as respostas. Aquela frase clássica de Sócrates – SÓ SEI QUE NADA SEI – representa muito bem o contexto que estamos vivendo hoje com a “revolução digital”.

Temos alguns conhecimentos mas eles estão em constante evolução e quem melhor que nós mesmos pra mostrar aos nossos clientes as melhores práticas? Aliás, quem melhor que os profissionais questionadores e que levam a sério o que fazem pra mostrar pro cara que entra no mercado e não agrega valor nenhum que ele vai perder? Mas pra isso precisamos nos unir. Não adianta reclamar que a agência ou cliente paga pouco se nós não valorizamos o que fazemos. Quando passarmos a sermos os criadores de novos conhecimentos todos os que ficam presos as ilusões dos likes e shares, irão perder.

É preciso união de todos. Hoje em dia marketing digital é igual ao futebol aqui no Brasil (e provavelmente igual ao esporte popular em qualquer outro país): todo mundo diz que sabe mas poucos procuram realmente entender.

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