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Amor ao primeiro vôo

Em resumo: Esta é uma história de amor que aconteceu há duas semanas em algum lugar entre Barcelona e Irlanda. Ou em todo o trajeto entre as duas cidades, na verdade. Cruzou continentes, ganhou a mídia, formou um casal e fez um companhia aérea feliz.

Como chama atenção o Blue Bus, isso daria um roteiro de comédia romântica Blockbuster. Mas foi real.

O irlandês de 24 anos Jamie Kelly viajava para sua nação natal em um vôo da Ryanair (guarde este detalhe). Avistou então, sentada atrás de seu banco, a morena de 27 anos Katie Moreau, nascida em Nova Escócia, leste do Canadá. O rapaz notou que ela estava só (sua mãe viajava com ela, mas não se sentava junto à filha, até então) e a convidou para sentar-se ao seu lado. A moça aceitou o convite e, a partir daí, os dois conversaram durante o resto do voo. Katie voltava de uma viagem de dois meses pela Itália e Espanha, dizia-se aliviada por enfim poder conversar com alguém que falava inglês como ela. Jamie então cedeu seu assento para que a mãe de Katie viajasse com a filha, mas continuou trocando frases esporadicamente com a canadense. O clima estava criado. Os dois conversaram até a chegada ao aeroporto, desembarcaram juntos e assim foram até o terminal.

O casal, no entanto, se separou no controle de entrada do aeroporto de Dublin, como conta o jornal Metro. Katie seguiu com Jamie até a fila de cidadãos europeus, até que o rapaz a encaminhou para a fila dos cidadãos estrangeiros. Após a apresentação dos documentos, Jamie buscou por Katie e não a encontrou. Katie, por sua vez, contou posteriormente também ter buscado pelo rapaz no desembarque, mas desistiu tentando não parecer “desesperada”.

Jamie já não teve esse pudor. Buscou depois pela moça no Facebook e não obteve sucesso (guarde este detalhe também). Foi, então, até a companha aérea, sem conseguir informações sobre sua pretendente mais uma vez. Insatisfeito, Jamie foi até a gravação do programa de uma rádio local (!) anunciar sua busca. Ainda assim, não chegou a nenhuma pista que o levasse à morena.

A magia das hashtags

Com ajuda dos seus amigos, Jamie lançou no Twitter uma campanha para encontrar Katie – de quem ele não sabia sequer o sobrenome:find katie

“Seu nome é Katie? Você é da Nova Escócia? Está viajando pela Irlanda? Conheceu recentemente um cara novo chamado Jamie? #findkatie“, dizia um dos tuítes.

A campanha chegou à rede canadense CBC News e aos familiares e amigos de Katie. Sua irmã entrou em contato com um dos amigos de Jamie:

familiares

Logo, familiares e amigos lotavam a inbox de Katie com mensagens sobre a campanha. A moça contou à CBC News que ficou surpresa e lisonjeada com a ação. Os dois voltaram a conversar pela internet e, recentemente, Katie atravessou o Atlântico para ir à Irlanda, onde encontrou com o “Romeu da Ryanair” – como tem sido chamado Jamie:

jamie

Mais fotos do reencontro podem ser vistas aqui. Não se sabe o futuro do casal, mas ambos já prometeram manter contato após o encontro e confessaram também terem (obviamente) se beijado durante a viagem.

Minhas conclusões da história:

  1. O amor vence barreiras, atravessa oceanos e mobiliza pessoas. Histórias “fofas” então… nem se fala. Imagino que esta deva ter sido um pouco romantizada (quem conta um conto aumenta um ponto), mas não tem como negar que ela é surpreendente.
  2. O Twitter, mais uma vez, se mostra em alta lá fora. Embora o Facebook seja uma ferramenta que facilita a busca por pessoas (enquanto no Twitter se analisa com muito mais facilidade as tendências comportamentais e os conteúdos difundidos pela rede), foi a rede dos 140 caracteres que salvou o “relacionamento” da história e que, mais uma vez, tem seu nome difundido exaustivamente pela mídia de forma positiva.
  3. Quem REALMENTE “saiu bem na fita” nessa história não foi Jamie, Katie ou o Twitter – mas a Ryanair. É bem provável que a difusão desta história tenha sido impulsionada pela empresa. Mas, independente de ter sido ou não, sua marca sai fortalecida disso tudo. A companhia aérea oferece passagens internacionais a preços competitivos e, por esta razão, leva o benefício do vôo a pessoas que talvez não tivessem condições de voar com outras concorrentes. Torna o sonho da viagem possível, em outras palavras. Para uma companhia aérea que adota um posicionamento como este, há melhor contexto em que sua marca possa ser exposta? São milhares (milhões?) de apaixonados entusiasmados pelo “roteiro de filme” que conta com impactos da marca (quase que como um product placement na vida real). Matérias do New York Post, do BuzzFeed, da CBC News, do Metro e de praticamente todos os veículos que noticiaram o caso trazem o nome da marca, menção na manchete ou mesmo imagens de aviões da companhia.

O amor constrói… marcas.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP