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alemanha amam papel

Alemanha + mídia impressa = <3

Com esse post, damos início aqui a uma série de textos que serão publicados no Publicitários Social Club sobre a comunicação na Alemanha. Eu, Ricardo Fernandes, colunista do site, vim me aventurar no país do 7×1 e viver na cidade de Bonn – antiga capital da Alemanha Ocidental.

Dos tempos de capital, restam na cidade algumas organizações multinacionais e repartições públicas instaladas na cidade. Ainda assim, mesmo pequena, Bonn é uma cidade com estrutura de cidade grande, considerando suas proporções. São aproximadamente 325 mil habitantes numa área de 140 quilômetros quadrados. É mais ou menos a área e a população da cidade de São Vicente, no litoral paulista. O histórico de ex-capital por 40 anos, a presença de instituições internacionais e a proximidade da cidade com a vizinha Colônia (a 4ª maior cidade da Alemanha, atrás de Berlim, Hamburgo e Munique) faz de Bonn uma cidade “pequena, mas com alguma relevância”.

É cedo para falar em dificuldades e facilidades para o profissional de comunicação aqui na cidade ou na Alemanha. Tive 20 dias para fazer minhas primeiras análises e o único trabalho que tenho desenvolvido é como freelancer para o Brasil. Não dá pra falar ainda sobre o ambiente corporativo e sobre o mercado. Mas algumas coisas já podem ser observadas. Algumas características já chamam a atenção de quem pisa aqui. E é sobre essas características que estes posts vão falar. Hoje eu compartilho uma delas com vocês:

A Alemanha é um país que ama papel

Embora os conceitos de sustentabilidade já façam parte da cultura alemã, é impressionante ver como esse país tem uma relação de apego com o papel. Há coisas que simplesmente não mudam aqui – porque até então deram muito certo. Uma delas é a segurança depositada naquilo que é impresso. Contratos são impressos e enviados pelo correio – nada de “me manda por e-mail”. Comunicados também. Há itens que já são substituídos com mais frequência, como ingressos e passagens, que em muitos casos já são lidos via QR code mesmo. Ou periódicos, que também são vendidos em versão digital por meio de senhas adquiridas em pequenos totens espalhados nas ruas e pontos de maior movimento. Mas quando se trata de qualquer coisa formal, o papel ainda impera.

alemanha comunicação impressa
Totens com lambe-lambes espalhados por toda esquina.
lambe lambe show alemanha
Festinha anos 90 im-per-dí-vel é anunciada em quase todo canto da cidade.


E como é que fica a comunicação num país que ama papel?

Ela fica impressa. O resultado dessa relação com o papel é que as cidades são bem servidas de cartazes e lambe-lambes por todos os lados. E isso pode ser afirmado tanto sobre Bonn como sobre Berlin, que visitei no último ano. Os temas são dos mais diversos: festas locais, feiras, exposições, peças de teatro, feirões de garagem, shows, serviços etc. Especificamente sobre Bonn é curioso notar como a cidade valoriza o comércio e o produto local. Alguns mercados, por exemplo, têm seções destinadas a itens produzidos na região.

Aliás, mercados são também lugares onde se pode notar o apego pelo papel. Os cartazes exibidos na entrada com a promoção do dia – que regularmente passam batido no Brasil – aqui são o centro das atenções, tanto de consumidores como do próprio mercado, que capricha oferecendo promoções de 30, 35, às vezes 40%.

Não dá pra dizer como é a relação do país com mídias digitais. Já falei aqui sobre as políticas duras de proteção ao direito autoral e sobre como isso impacta no trabalho de quem produz conteúdo. Mas dá pra dizer, pelas relações já criadas com alemães, que esse apego pelo papel não impediu totalmente que a Alemanha imergisse na cultura digital. Em esferas específicas, como a pública, é inegável que o digital ainda engatinha e que tudo ainda funciona de um jeito muito analógico e talvez pouco prático (o que não quer dizer que não seja eficiente). Mas isso não é muito diferente de determinadas repartições públicas do Brasil. O que importa é que, na vida cotidiana, o alemão parece conseguir se integrar a algumas novas tecnologias sem deixar para trás hábitos como o de valorizar sua região e anunciar a próxima quermesse em um flyer colado nos postes.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP