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propaganda

A propaganda é o cassetete da democracia

Quem afirma isso é Noam Chomsky, professor emérito do Instituto Tecnológico de Massachussetts (MIT), linguista, cientista político, e considerado por alguns, o maior intelectual vivo.

A sua análise dos meios de comunicação de massa tem foco principal na realidade estadunidense. Mas, qual a diferença objetiva para a nossa realidade? Ou para a realidade de grande parte dos países industrializados, ou em estado de industrialização? Ainda mais num mundo globalizado de cultura e economia impostas, como o de hoje.

 

O modelo de propaganda possui 5 filtros

Em A Manipulação do Público, livro escrito em conjunto com Edward S. Herman, Chomsky explora este tema em profundidade e apresenta o seu modelo da propaganda dos meios de comunicação, com numerosos estudos de caso extremamente detalhados, para demonstrar o seu funcionamento.

O modelo mostra que esse viés deriva da existência de cinco filtros que todas as notícias precisam ultrapassar, antes de serem publicadas e, que quando combinados, distorcem sistematicamente a sua cobertura pelos meios de comunicação.

Os filtros

  1. A maioria dos principais meios de comunicação são partes de grandes empresas.
  2. Os principais meios de comunicação obtém a maior parte de sua receita, não de seus leitores/expectadores/ouvintes, mas sim de publicidade, pagas no geral, por grandes empresas. Sendo assim, você exporia fatos que comprometessem seus clientes? Pense bem.
  3. Os meios de comunicação dependem fortemente das grandes empresas e das instituições governamentais, como fonte de informações para a maior parte das notícias. Isto também cria um viés sistêmico contra a sociedade. Empresas não falam mal de si próprias. Governos não falam mal de si próprios.
  4. A crítica realizada por vários grupos de pressão, que procuram as empresas dos meios de comunicação para pressioná-los, caso eles saiam de uma linha editorial que esses grupos acham a mais correta. Eis os grupos: veículo privado, que deve espaço aos clientes (privado ou público), que devem espaço às agências de publicidade. É um ciclo ad infinitum.
  5. As normas da profissão de jornalista referem-se aos conceitos comuns, divididos por aqueles que estão na profissão do jornalismo.

Esse sistema cria um consenso entre a elite (grandes empresas, governos, veículos de mídia, agências de publicidade), sobre os assuntos de interesse público, travestindo-o como algo democrático, mas que atendem apenas aos interesses dessa elite.

E isso já começa nas concessões públicas. Os grandes veículos têm permissão do estado para defender uma opinião que atenda a sociedade, mas agem por interesses privados. A eficácia fica por conta de que grande parte do público, acha que estão defendendo os interesses do povo.

Em suma, o que Chomsky diz é:

“A propaganda representa para a democracia, aquilo que o cassetete significa para um estado totalitário.”

Para além do que de fato significa democracia completa, não há dúvidas de que esse modelo é usado nas nossas chamadas democracias representativas, ao qual, no geral, estamos mergulhados de cabeça no capitalismo de estado. Ou seja, no lugar da força e violência excessivas, usa-se a manipulação.

E quem não gostaria que sua vida fosse um comercial de margarina, ou de um banco privado, com todos felizes, sorrisos nos rostos e vida plena? Agora transfira isso para o mito de o Brasil ser uma democracia racial, amansando as massas. Entendeu? A propaganda é o cassetete de nossas aparentes democracias.

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