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compra programática

7 definições sobre compra programática

Comprar mídia em tempo real no inventário de Ad Exchanges, a partir de uma DSP, com uma estratégia programática, usando dados primários e de terceiros, agregados e gerenciados a partir de uma DMP. Se você entendeu, muito bem, você compreende o universo da compra programática e pode parar de ler por aqui. Se você não entendeu, não se preocupe. Continue lendo e confira o que quer dizer cada uma das sete expressões mencionadas acima, e comece a compreender o tema, conforme explica Henrique Russowsky, sócio e diretor de mídia da agência Jüssi.

Definições para você entender o universo da Compra Programática

1 – Comprar Mídia em Tempo Real

Consiste em um anunciante participar de leilões por cada impressão de anúncio na web que lhe interessar. O leilão acontece em milissegundos, cada vez que uma página de um site é carregado e, por isso, a denominação Real Time Bidding (RTB) ou compra em tempo real.

Para explicar melhor esse conceito e porque o RTB é tão relevante hoje, vale a pena voltar um pouco no tempo. No início da internet, a única forma de comprar mídia era por meio de negociação com cada site ou portal em que queríamos veicular nossos anúncios. Com o crescimento da web, e sua cada vez maior fragmentação, esse processo se tornava mais penoso e ineficiente. Assim, começaram a surgir as ad networks, empresas que tinham como proposta de valor agrupar sites, então tornando a compra de mídia mais eficiente para o anunciante, e que cobravam uma margem no CPM (custo por mil impressões) por este serviço. As ad networks facilitaram e facilitam até hoje o processo de compra de mídia, mas ainda assim o alcance delas é limitado e precisamos trabalhar com diversas redes, se por ventura queremos ter uma abrangência próxima à totalidade da web.

Assim, anos mais tarde, surgiram as ad exchanges, sistemas que funcionam como uma espécie de bolsa de anúncios. Quase todas as impressões de anúncios da web, hoje, fazem parte de alguma ad exchange. A compra em tempo real ocorre justamente nessas impressões plugadas nas exchanges. Você nem imagina, mas cada banner que vemos impresso numa página da web pode ter passado por um complexo processo de leilão em tempo real. Por isso, o RTB ganhou tanta notoriedade, ao permitir que a partir de uma única plataforma gerenciemos todo nosso esforço de compra de mídia display, e ainda pagando um valor justo, uma vez que o preço é determinado em leilão.

2 – Ad Exchanges

Conforme explicado acima, ad exchanges são como bolsas de anúncios. Na verdade, o termo em inglês ad exchange é inspirado na expressão stock exchange, que significa justamente bolsa de valores. No caso das ad exchanges, a compra de ações é substituída pela compra de impressões.

Pode-se dizer que uma ad exchange é um marketplace onde publishers (ou donos de sites) decidem oferecer seus inventários de publicidade para a compra em tempo real. Assim como uma empresa brasileira decide ser cotada na Bolsa de Valores de São Paulo, um site pode optar por disponibilizar suas impressões numa ad exchange, como a DoubleClick Ad Exchange, por exemplo. Uma vez que um site está plugado em uma ad exchange, suas impressões estão aptas a serem negociadas através de leilões em tempo real. Os anunciantes, por sua vez, acessam as impressões das ad exchanges por meio de uma plataforma chamada de DSP.

3 – DSP

Quer dizer Demand Side Platform ou plataforma do lado do comprador. É o sistema pelo qual acessamos as impressões contidas em qualquer ad exchange. Uma DSP é uma plataforma por onde opera-se a compra em tempo real. Para ficar mais claro e tangível, uma DSP costuma possuir uma interface de gerenciamento, pela qual operadores dão os comandos de compra no leilão. Esses comandos podem ser dados de forma manual ou a partir de algoritmos matemáticos, que nos ajudam a otimizar a compra. A DSP pode estar plugada a todas as exchanges do mercado, e através dela operamos uma única estratégia de compra programática para todos nossos esforços de mídia display na web.

4 – Compra Programática

O termo programático é um adjetivo que está ligado a programa. É a elaboração escrita de um plano de atividades para a realização de alguma coisa, segundo o Dicionário Online da Língua Portuguesa. A expressão compra programática é, muitas vezes, usada como sinônimo de compra em tempo real ou RTB. É a forma como muita gente se refere ao universo todo descrito neste texto. Na verdade, a compra programática é apenas uma parte dele. Ela se refere à aplicação de um conjunto de regras que passa a ser a estratégia para a compra de mídia em tempo real.

Explicando melhor: a partir do RTB podemos acessar virtualmente qualquer impressão de anúncio na web e tomar para nós esta impressão, ao ganhar o leilão. Aí vem a pergunta: quais impressões eu desejo e quais eu não desejo comprar? Para determinar isso, aplicamos no DSP um conjunto de regras que determinam a programação da nossa compra de mídia e em que leilões participaremos.

Para criar esse conjunto de regras, é preciso fazer uma reflexão do ponto de vista de marketing. Assim, devemos entender quem é a nossa audiência target, e quais fatores determinam a progressão de cada pessoa dessa audiência ao longo do funil de vendas, para então criar uma régua de relacionamento com elas, sempre tendo em mente os objetivos de campanha. Essa régua de relacionamento é a estratégia de compra programática.

5 – Dados Primários

São a base para as estratégias de retargeting. A partir dos dados primários, identificamos usuários que já visitaram e interagiram com nosso próprio site. Depois disso, podemos agrupar esses usuários com base em comportamentos similares, e então “bidar” pelas impressões para esses usuários. Dependendo do histórico de conversão de cada agrupamento, altera-se o valor dos lances, para ganhar mais leilões ou abrir mão deles, a fim de se atingir um custo por conversão dentro da meta desejada.

Importante ressaltar que, por falta de entendimento no mercado, às vezes, o trabalho de plataformas de retargeting é confundido com ter uma estratégia de compra programática. De fato, uma plataforma de retargeting está inserida no universo da compra em tempo real e programática. No entanto, trabalhar com uma plataforma de retargeting não significa que você tem uma estratégia de compra programática no ar.

6 – Dados de Terceiros (Third Party Data Provider)

Fazer retargeting a partir de dados primários, coletados por meio de interações com nosso próprio site já não é mais nenhuma novidade. Por outro lado, o que nem todos sabem, é que hoje é possível “comprar” conjuntos de dados de empresas que chamamos de third party data providers. Essas empresas agrupam audiências com base em dados que eles capturam de suas propriedades e os oferecem através das DSPs.

A mecânica é simples. Digamos que eu seja dono de um blog de moda. Além de vender mídia no próprio blog, posso mapear o comportamento dos usuários do meu site, agrupar audiências com base em similaridades de comportamento e em seguida disponibilizar essas audiências para venda em uma DSP. Assim, uma marca de roupas que queira gerar interesse a novos usuários, pode recorrer às listas de audiências do meu blog via sua DSP, e anunciar para essas pessoas, que sabemos que tem interesse em moda.

Cabe salientar que no Brasil a qualidade dos dados agregados por terceiros ainda tem um longo caminho de evolução. 2015 deve ser um ano importante na consolidação no mercado de dados por aqui.

7 – DMP

Quer dizer Data Management Platform ou plataforma de gerenciamento de dados. Trata-se de um sistema de coleta, organização e gerenciamento dos dados primários capturados a partir de nossas propriedades. A diferença entre uma DMP e uma DSP, é que a DMP serve para organizar dados, enquanto a DSP é a interface de compra de mídia, em que usamos os dados coletados na DMP para enriquecer a qualidade da compra. Ou seja, as duas plataformas possuem papéis distintos e complementares.

Implementar uma DMP é importante para aprofundar a estratégia de compra programática. Isso porque, além de agregar cookies, também podemos cruzar informações adicionais, como por exemplo a base de CRM da empresa. Como o e-mail serve como uma chave de identificação para o histórico de compras do usuário, logo a informação que temos sobre um visitante do site deixa de ser somente as páginas que ele visitou, mas também passamos a saber o histórico de compras dele.

Voltamos para o exemplo da loja de roupas. Numa estratégia de retargeting simples, mapearíamos todo nosso site com uma tag de remarketing para poder criar agrupamentos de visitantes do site com base no comportamento de navegação. Assim, se um usuário coloca uma jaqueta no carrinho e não compra, podemos insistir, mostrando anúncios dessa jaqueta por uma semana, até que ele decida comprar algo ou eventualmente paramos de anunciar.

Já na estratégia apoiada por uma DMP, a diferença está na capacidade de aprofundar a qualificação do visitante com base nas informações do CRM. Isso porque o cookie capturado pela visita é cruzado com o e-mail, que por sua vez é cruzado com o histórico de compras desse usuário no site. Assim, além de saber que o usuário colocou uma jaqueta no carrinho e não concluiu a compra, saberíamos também, por exemplo, que ele já fez dez compras no site no último ano, estando entre cinco maiores compradores do site. Com essa informação adicional, certamente nossa decisão pode ser drasticamente influenciada.

Sugestão enviada pela leitora Marcela Branco. Texto do Henrique Russowsky da agência Jüssi.

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Thiago Acioli

Publicitário, Pós-graduado em Marketing Estratégico e criador do Publicitários Social Club.