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divertida mente

3 motivos para você assistir a Divertida Mente pra já!

Primeiramente: este texto contém spoilers do mais novo filme do estúdio Pixar, “Divertida Mente” (que ganhou esse curiosamente cabível nome em português no lugar do título original “Inside Out”). Se você assistiu ao filme, siga em frente. Se você não assistiu… precisa assistir. Não somente porque ele ensina algumas coisas a nós, publicitários, mas porque é um dos pontos mais altos da filmografia do estúdio, senão o mais alto. E eu não estou sendo exagerado ao dizer isso. Portanto, compre uma entrada para a próxima sessão disponível e divirta-se!

 

Se você assistiu ao filme (ou simplesmente não se incomoda com spoilers) vale antes um resgate sobre a história apresentada. O filme narra a vida da personagem Riley, aos 11 anos, que passa por uma série de mudanças em sua rotina pessoal, sob o ponto de vista das emoções que habitam sua cabeça: alegria, tristeza, medo, raiva e nojo. Cada uma dessas cinco emoções é representada por um personagem diferente – e alguns deles se metem nas mais inusitadas confusões para tentar controlar a sanidade da garota, que passa por algumas experiências inéditas em sua vida durante o filme.

O filme é um espetáculo visual. A construção do universo dele é detalhista. Mas os méritos vão mesmo para a construção da mente de Riley – uma espécie de campo mágico, ocupado pelas “ilhas” que determinam seus traços de personalidade (família, amizades, honestidade, etc) e pelo banco quase que infinito de suas memórias.

Mas se você, como eu, não é atraído aos cinemas para se impressionar exclusivamente com os efeitos visuais, este filme também é mandatório. E se você trabalha em comunicação, este filme é feito ainda mais para você. Explico agora o porquê:

O FILME É A PROVA DE QUE UM BOA IDEIA AINDA É O QUE CONTA.

Mesmo que Divertida Mente fosse um filme mal acabado visualmente, seus expectadores ainda sairiam estupefatos da sessão de cinema. Se o filme não contasse com o poder de propaganda de um estúdio como Disney-Pixar, seu alcance de público seria inquestionavelmente menor, mas ainda assim o filme se tornaria um viral (como já está virando por meio de indicações nas redes sociais) de qualquer forma. O principal diferencial desta obra é sua ideia base: “e se mostrássemos as primeiras grandes tormentas emocionais pelas quais o ser humano passa personificando seus sentimentos na cabeça de uma menina de 11 anos?”. Uma proposta aparentemente simples, mas inovadora e que se desdobra em um exército de referências, sacadas e piadas nunca exploradas que divertem qualquer um, crianças ou adultos. Mais do que ter uma premissa inédita, o filme trabalha todas as relações dos sentimentos com as memórias de Riley, suas atitudes, seus relacionamentos com pais e amigos. É, portanto, uma narrativa completa e muito bem construída. Como qualquer ação de comunicação que tenha como propósito mexer com as sensações e emoções, um filme que se vale destes adjetivos será sempre bem avaliado e deixará marcas na mente de qualquer um.

O FILME ILUSTRA O EFEITO DA PUBLICIDADE NO REPERTÓRIO DO CONSUMIDOR.

Uma das piadas recorrentes mais engraçadas de Divertida Mente é um jingle de uma marca de chiclete (que por sinal é também um jingle-chiclete) que está dentro das memórias de Riley. O jingle surge insistentemente na história, inicialmente como uma referência boba, posteriormente como uma canção grudenta, que simplesmente não consegue deixar a mente em paz. E como no caso a mente é o universo em que o filme se passa… trata-se de uma música que consegue perturbar os personagens. E fazer rir. É ou não é a forma mais eficiente de demonstrar a uma criança ou a um adulto não familiarizado com práticas da publicidade os efeitos da publicidade no cérebro do consumidor?

QUEM ANALISA O FILME PODE ENTENDER MAIS DE COMUNICAÇÃO.

Uma das cenas mais geniais de Divertida Mente é a do jantar da família de Riley. Sem a ação dos sentimentos de alegria e tristeza em sua mente, Riley age exclusivamente movida pela raiva, pelo medo e pelo nojo – uma situação bastante comum nesta fase da vida, diga-se de passagem. Tal fato faz com que suas atitudes se tornem mais ríspidas e insensíveis. O que automaticamente desencadeia interpretações e medidas no pensamento de sua mãe e seu pai (e é possível notar que estes são controlados principalmente pela tristeza e pela raiva, respectivamente).

Uma pré-adolescente que deixa alegria e tristeza de lado para se tornar quase que inexpressiva. Uma mãe que lida com diversas emoções comandadas principalmente pela tristeza. Um pai que tem uma linha de raciocínio quase que único e liderado, como dito, pelo sentimento de raiva. Além disso representar um jantar que não tem como dar certo, é também uma representação clara dos sentimentos de uma família tradicional passando por um momento de stress emocional como o que vive a do filme. Cada ato de um personagem é interpretado de uma forma (normalmente sem sinergia) pelos outros, que por sua vez respondem da forma que lhes parece mais correta e toda a comunicação entre os personagens passa a ser truncada, até se extinguir, ao final da cena. Tudo isso está ligada a conceitos da psicologia utilizados na comunicação, como o de que todos os signos apresentados numa mensagem são interpretados pelo receptor. E seu movimento de resposta será moldado ainda pelo seu repertório e por sua capacidade de interpretação dos símbolos. Sendo assim, todo elemento presente na comunicação (de uma marca, mensagem, valor, etc.) deve existir por uma forte razão. Do contrário, não deverá estar presente.

Não à toa, o filme foi um dos mais aplaudidos no festival de cinema de Cannes. É uma obra que mexe com a cabeça não só de crianças mas de adultos que sabem o que é passar por mudanças na vida. É um filme que, se analisado sob pontos de vista da psicologia e da comunicação, pode render um extenso debate sobre a interpretação que cada um faz do mundo e sobre as regras que regem a comunicação. E é, sobretudo, um filme que apresenta uma perspectiva inédita sobre os sentimentos. Portanto, é uma obra obrigatória no seu currículo.

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Ricardo Fernandes

Profissional freelancer de conteúdo e RP. Formado em publicidade, pós graduado em marketing e comunicação integrada. Publicitário, marketeiro e escorpiano. São Paulo/SP